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sábado, 31 de outubro de 2009

Carta ao meu caro ex-amigo

Enfie a carapuça quem quiser!

Meu Caro Ex-Amigo,

Lamento que depois de tanto esforço inglório e vão, tenha de pôr um ponto final neste Carnaval que não é. Tanta imprudência mascarada só podia dar este epílogo. Procurava uma amizade genuína e encontrei algo com que não me identifico. Adeus! E boa continuação.

Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 23 de Setembro de 2009.


Post Scriptum
- de falsas amizades não reza a história.

sábado, 19 de setembro de 2009

Rui Knopfli

Expresso a minha enorme gratidão, em jeito de homenagem ao Poeta-Maior Luso-moçambicano Rui Knopfli, falecido no passado dia 25 de Dezembro de 1997, em Lisboa, pelo grande contributo e enriquecimento que deu às culturas moçambicana e portuguesa bem como para o reforço da amizade, compreensão e cooperação entre os povos de Moçambique e de Portugal.
Bem haja, senhor poeta Rui Knopfli!

P.S. Quem ama África e a poesia não pode ficar indiferente!


Delmar Maia Gonçalves
in Revista "África Hoje"
Março, 1998.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Solidão

Um famoso cantor francês afirmou numa das suas canções: "A solidão não existe".
No entanto, esta mensagem de esperança não convence os que diariamente se confrontam com esta triste realidade.
Há muito sofrimento no Mundo, mas o maior é sentir-se só. Estar só representa para muitos deles um pesadelo. O Homem tornou-se cada vez mais egoísta e insensível. Com efeito, há que destacar o apoio humanitário que tem sido prestado a Moçambique pelos países ocidentais e que lamentavelmente o fazem desinteressadamente.
A fome é um problema cuja resolução está no diálogo e cooperação entre os países desenvolvidos e os chamados países do Terceiro Mundo. Mas não será certamente com a ajuda alimentar de emergência que se combaterá a fome.
Há que elaborar programas de desenvolvimento agrícola concretos que levem à resolução definitiva deste problema. Mas para que isso aconteça é necessário que os países desenvolvidos se empenhem de forma tão interessada quanto os países destinatários dessa mesma cooperação. As fictícias divergências ideológicas devem ser postas de lado em nome da dignidade do Homem.
Moçambique, país potencialmente rico em termos agrícolas, necessita de ajuda alimentar de urgência em virtude da guerra de destabilização que lhe é movida, mas também necessita de toda a compreensão e cooperação para a sua realidade específica.
"Por favor, não deixem que o povo moçambicano se sinta só!"


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 15 de Fevereiro de 1989
in Jornal quinzenário "Africa"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Moçambique - Carta Aberta

Carta Aberta aos Presidentes Chissano e Dhlakama



Caros Senhores Presidentes da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, e da RENAMO, Afonso Marceta Dhlakama.
É como cidadão africano, moçambicano e católico, de alma e coração, que pensei dirigir-me a Vós, Homens Fortes de Moçambique (não sei se feliz ou infelizmente!).
Sim, a Vós que iniciastes uma guerra fratricida, sim a Vós que assinaste o histórico acordo de paz em Roma, a cidade eterna.
E é a pensar na tragédia do povo irmão de Angola, que quero recordar-vos que a ânsia de poder nos leva sempre a cometer erros e a perder o senso, caminhando para a auto-destruição e arrastando connosco gente inocente.
O egoísmo leva-nos à irracionalidade.
Não creio que Vós tenhais perdido o senso ou que vos tenhais tornado egoístas.
Quero recordar-vos que as lutas que se travaram em Moçambique, até agora, foram contra o colonialismo e até prova em contrário, pela democracia.
Se Vós pegardes de novo em armas será por quem, para quê e porquê?
Será pelo Povo? Mas como, se o Povo em nada beneficia com a guerra?
Será pela Democracia? Mas como, se ela encontra expressão máxima, nas urnas, na votação popular e nunca na guerra?
Será pelo Poder? Será pelos previlégios? Ah! Então se é isso, lutem! Mas que o façam sem armas, que o façam democraticamente, que falem ao Povo, que apresentem as Vossas propostas e projectos, que reconheçam opositores e oposições, que reconheçam o direito à diferença, que reconheçam que só o Povo é o Vosso principal aliado e opositor.
Sem o Povo não há Democracia, e sem Democracia não há Paz. E não se esqueçam que só com a Paz chega o desenvolvimento!
Quanto aos previlégios, recordo-vos que estes são um complemento do poder.
Mas espero, naturalmente, que estes nunca se sobreponham aos interesses do Povo e da Nação.
Aguardai pela escolha e "julgamento" do Povo, depois podeis pensar nos previlégios, nas responsabilidades, nos deveres e obrigações.
Que Deus Vos ilumine sempre!

Um abraço cordial do vosso compatriota,

Delmar Maia Gonçalves
Madorna, 29 de Abril de 1993.
in "Africa Hoje"