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sábado, 11 de janeiro de 2014

Manifesto Moçambicano


Quando um CIDADÃO de um qualquer PAÍS sai dele, por variadas RAZÕES (voluntárias ou involuntárias), luta e vence em terras estranhas, é carregado pelo seu PAÍS ou carrega  seu PAÍS nas costas, de tal forma que se torna por vezes um fardo pesado (por culpa de gente racista, preconceituosa, complexada, egoísta, invejosa , maldosa e mal intencionada)? Tem que ser um fardo?Lembro-me da minha saudosa Amiga e "Soba" falecida em CASCAIS, POETA-MAIOR de  MOÇAMBIQUE NOÉMIA DE SOUSA que me dizia: "Todos os Moçambicanos a residirem no exterior e que amam seu PAÍS, são pedaços de pau preto disseminados pelo mundo!"
Um MOÇAMBICANO precisa de pedir licença para sê-lo? Não creio.
Lembro-me de uma geração de ilustres PORTUGUESES que deixaram PORTUGAL e hoje, mais do que nunca, são bandeiras fora de portas do PAÍS que os viu nascer  (PAULA REGO, MANUEL DAMÁSIO, VIEIRA DA SILVA, EDUARDO LOURENÇO, entre outros) e entristece-me ver e ouvir alguns dirigentes e intelectuais  moçambicanos racistas,preconceituosos, xenófobos, manipuladores, umbiguistas, mesquinhos e cobiçosos, que mais não fazem do que darem um tiro certeiro no seu próprio  pé, apesar de agitarem de forma doentia a bandeira do nacionalismo !

Como diria o outro “aquila non capit muscas”.

DMG

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sofrimento e Solidão

Um famoso cantor Francês afirmou numa das suas canções que «a solidão não existe».
No entanto,esta mensagem de esperança não convence os que diariamente se confrontam com esta triste e dramática realidade.
Há muito sofrimento no mundo,mas o maior é sentir-se só.Estar só representa para muitos um pesadelo.O homem tornou-se um ser cada vez mais egoísta e insensível.
Contudo,há que destacar o apoio humanitário que tem sido prestado desde sempre a Moçambique pelos Países Nórdicos e alguns Governos Ocidentais.
A fome é um problema cuja resolução está no diálogo e na cooperação entre os países Desenvolvidos e os do chamado Terceiro Mundo.Mas,não será certamente com a ajuda alimentar de emergência que se combate a fome.
Há que elaborar projectos e programas de desenvolvimento agrícola concretos,que levem à resolução definitiva deste problema.
Para que tal aconteça,é necessário que os países Desenvolvidos se empenhem de forma tão interessada quanto os países destinatários dessa mesma cooperação.
As divergências de ordem ideológica ou outras,devem ser postas de lado em nome da dignidade humana.
A República de Moçambique,país potencialmente rico em termos agrícolas,necessita de ajuda alimentar de emergência em virtude da guerra de desestabilização que lhe é movida pelo regime do Apartheid,mas também necessita de toda a compreensão e cooperação para a sua realidade específica.
Não deixem pois que o Povo de Moçambique se sinta só!

(Texto Publicado no Semanário "África",de 15 de Fevereiro de 1989,(Página 4) e no Nº115,(Página 2), de 26 a 1 de Agosto 1989)

sábado, 11 de setembro de 2010

Racismo invertido ou A arte da Verdade da Mentira no século XXI

Estamos longe de encontrar culpados de uma situação gerada ,que foi sendo sedimentada e se perpetua no tempo aqui e acolá intencionalmente ,de forma escandalosa e descarada,conforme os jogos de interesses,conforme os ventos e as marés.
E tantas são as situações,que supomos serem conhecidas de todos ,que não ousaríamos enumerá-las.
Mas o assunto que me levou à reflexão é o monstruoso Racismo !
O Racismo xenófobo corrente,aquele que nos devora,consome e sufoca,fazendo-nos reviver e conviver com velhos fantasmas do arcaico e aberrante preconceito desde sempre praticado. Aquele que nos escraviza,reduzindo nossa humanidade em laivos de profundo desumanismo .
A escravatura humana como modelo de Produção impulsionador do desenvolvimento social e económico-financeiro,acabou ,esgotou-se ,pelo menos nas Sociedades que se dizem Modernas e Civilizadas,ou daquelas que procuram sê-lo,abandonando a primitiva barbaridade e não se julgue que esta foi inventada pelos Europeus ou pelos Asiáticos.
Mesmo antes das empreitadas Coloniais , ela(s) já existia(m) em África , na Ásia ,na América e na Europa(Ocidental e Oriental).
Alcançada a vitória de um Povo sobre o outro,no plano bélico , alargavam-se os domínios territoriais ,económicos e culturais de um Povo(vencedor) sobre o outro(vencido).
Mas e hoje o que temos? O que aprendemos com a História?Que erros foram corrigidos?
Será que a história nos ensinou algo?E será que somos bons "aprendizes"?Para o Bem ou para o Mal?
Talvez sejamos uma "espécie" de bons "desaprendizes"!
Até quando continuaremos a atirar poeira para os olhos do(s) Povo(s),e a assobiar para o lado,explorando um Populismo ignoto que não é e não serve?Até quando o uso desta retórica?
Aconselha-me a prudência a recordar os de fraca memória, recorrendo ao sábio Provérbio Persa , que "O mundo não está ameaçado pelas pessoas más ,e sim por aquelas que permitem a maldade"!

Delmar Maia Gonçalves

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Moçambique e a necessidade de se (re)afirmar como País no panorama político internacional

Moçambique quer (re)afirmar-se no panorama político internacional como País soberano e independente,e não como antiga colónia portuguesa.
Com efeito ,esta questão começou a surgir recentemente por um lado com os excessos nacionalistas Moçambicanos ou por excessos saudosistas , neocolonialistas e geoestratégicos de outros.
Os excessos revolucionários guiaram as intenções dos dirigentes da primeira República Moçambicana,que o Marechal Samora Moisés Machel cimentou.
A conjuntura internacional favorável acabou influenciando e determinando a conjuntura política interna neste jovem País e consequentemente modificando as relações com a Ex.Potência colonizadora que culminaria com as celebradas visitas de Estado do General Ramalho Eanes,do Dr.Mário Soares e do Marechal Costa Gomes à Maputo e do Marechal Samora Moisés Machel à Lisboa ,consolidadas de resto,com a pragmática acção do Dr.Sá Carneiro e do Dr.Pinto Balsemão.
A "Perestroika" de Mikhail Gorbatchov modificou a visão política dos dirigentes de todo o mundo e dos diversos quadrantes políticos e pôs termo à chamada "Guerra Fria" entre os países da NATO e os do PACTO DE VARSÓVIA , entre os Estados ditos Socialistas e os Estados Capitalistas Democráticos.
Questões de geopolítica e de fortes laços histórico-culturais fizeram por outro lado,à Ex.Colónia Portuguesa encarar de forma diferente as relações com a Ex.Potência Colonizadora pelo menos a partir de 1983,ano do Quarto Congresso do Partido FRELIMO , no poder.
Em 1984 inicia-se definitivamente a viragem lenta mas radical e firme no sentido do desanuviamento . Esfumaram-se as velhas relações complexadas que se desenvolveram durante largos anos entre dois Países Soberanos e Independentes que teimavam em estar de costas voltadas procurando ignorar-se,para se desenvolverem relações mais pragmáticas,mais saudáveis e mais ou menos empenhadas.
A República de Moçambique procura alcançar o seu lugar na Comunidade Africana / União Africana e no Mundo,a República Portuguesa está cada vez mais integrada na Comunidade Europeia/ União Europeia e com o Mundo.
É nesta perspectiva , que se deve interpretar a Adesão de Moçambique ou de Portugal a qualquer Organismo Internacional.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A violência nos Bairros Degradados /A promiscuidade nos Bairros Sociais

Primeiro é preciso ter em conta que o problema da violência nos Bairros Degradados e a promiscuidade nos Bairros Sociais é um problema não só dos seus moradores( Ciganos, Africanos e seus descendentes e os Lusos pobres),mas um problema da Sociedade Portuguesa!
E enquanto os políticos portugueses em particular e os portugueses em geral pensarem que este é um problema dos Ciganos, dos Africanos e seus descendentes e dos "lusos"pobres(eles que o resolvam!eles que se entendam!)então não se resolverá tão cedo,pois estes são apenas e só uma parte do problema e são também a solução do mesmo!Trata-se de uma questão global da Sociedade Portuguesa!
É preciso definir bem que razões levam a certos comportamentos e atitudes,que histórias de vida têm os moradores dos Bairros identificados,qual a sua proveniência,que perspectivas e expectativas têm relativamente aos governantes Portugueses e à própria Sociedade Portuguesa e já agora,os " Lusos" pobres que lá vivem , o que pensam de tudo isto?
É preciso combater a exclusão social, mas com soluções globais e não particulares, tendo em conta sempre especificidades próprias!
Não vamos perpetuar o gueto.
Na verdade , para ser concreto,existe tanta droga no Bairro das Marianas(1) como no seio das élites portuguesas da "Quinta da Marinha"!
Finalmente , é preciso envolver neste trabalho alguns Ministérios através de instituições que os representem, Escolas,Universidades,Autarquias,Igrejas e Associações (quer as de moradores, quer as desportivas,culturais e sociais!),desenvolvendo e promovendo parcerias.

Delmar Maia Gonçalves

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Expectativas em 1999

A minha expectativa relativamente a este Ministério(da Administração Interna) , é que trabalhe na área da educação em conjunto com o Ministério da Educação, no sentido de criar um quadro pedagógico que tenha em conta as diferenças culturais , sociais , económicas , ambientais , sexuais e que se incremente a igualdade no acesso e usufruto dos benefícios da educação e da cultura ; que trabalhe no sentido da revisão do Decreto-Lei número 50 / 77 que não permite aos imigrantes que vivem e trabalham em Portugal o acesso ao crédito bancário para compra de habitação ; que trabalhe no sentido de que os crimes racistas e xenófobos sejam considerados crimes públicos ( actualmente são considerados crimes privados ou semi-públicos !) e que não dependam de queixas para que haja procedimento criminal adequado .Tornem-na exequível!
Que trabalhe no sentido da legalização imediata de todos os imigrantes ; que trabalhe no sentido de se passar do carácter irreversível multicultural da "escola" e sociedade portuguesas ao interculturalismo , promovendo para tal uma educação em que haja uma interrelação entre as culturas existentes , sem contudo apagar a identidade específica de cada uma delas .
Finalmente gostaria de chamar atenção para o seguinte : que à pergunta - Que sou eu ? ; implica uma outra : - Que sei eu sobre estas comunidades , estes povos , estas etnias , sobre aquilo que serve de mediador entre os seus membros e os outros ?
Não se esqueçam que o indivíduo é o que fôr a sua possibilidade de relacionar-se com o mundo que o rodeia .É nesse autoconhecimento dos limites e liberdades que começa a tolerância .

Delmar Maia Gonçalves

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pedofilia é Crime

Parece ser este o Lema no "pequeno" mas poderoso Estado do Vaticano : Et pluribus unum?
Não consigo ,como Cristão Católico , compreender que uma figura importante da hierarquia da Igreja Católica e do Estado do Vaticano , estabeleça uma relação directa entre  Homossexualidade e a Pedofilia , e que a pretenda Científica!?
É para desculpabilizar quem e o quê?Et errare humanum est?
Até quando ?Se estes crimes hediondos têm a idade do meu tetravô?
Talvez nos possam explicar , alguns membros do Clero pedófilos e homossexuais (que os há) ,que vivem no escudo da imunidade vaticanesca ou outra , esta dantesca e inexplicável relação ou quem sabe até se desculpabilizem praticando na reclusão dos Mosteiros,Seminários e Conventos a oração e a autoflagelação , que nem Deus perdoa , quando mal justificada?
E é possível justificar o injustificável?

Delmar Maia Gonçalves

Moçambique e a questão da substituição da Língua Portuguesa pela Língua Inglesa

Moçambique pela sua situação geográfica(fronteira marítima com o Madagáscar , país francófono de África , e terrestres com o Zimbabwe , a África do Sul , a Swazilândia , a Zâmbia , a Tanzania ,o Malawi ),todos da Commonwealth ,"Comunidade Britânica";pela sua situação geopolítica e pela sua história específica,sofre a forte mas não decisiva influência dos Britânicos ou , por interposição , das antigas Colónias Britânicas de África.
Todos estes países Africanos com excepção do Madagáscar , têm uma particularidade comum:as ligações e laços tribais com algumas das populações das dez províncias Moçambicanas ,caso do Zimbabwe e o Centro de Moçambique (populações de Manica , Sofala e Tete),do Malawi e o Norte de Moçambique(populações do Niassa e Zambézia),da Tanzania(populações de Cabo Delgado) e da África do Sul e do Sul de Moçambique(populações de Maputo e Gaza).
Outra particularidade é a de , no Zimbabwe ,o Inglês ser apenas a segunda Língua ,tal como na Zâmbia ,Tanzania , Swazilândia , Malawi ou até no Quénia.
Em Moçambique não acontece o mesmo com a Língua Portuguesa que é curiosamente a Língua Oficial.
Verificou-se mesmo , nos últimos anos , um crescimento do número de falantes , o que muito se deve ao Povo Moçambicano que pese embora possuir Línguas Locais "Nacionais" e a forte influência da Língua Inglesa na zona , mais não fez que fortalecê-la com os chamados "Moçambicanismos"que tomam forma e se integram na Língua Portuguesa falada e corrente em Moçambique.
Moçambique tem participado nas reuniões da Commonwealth como observador , mas tem-se especulado com alguma insistência que pretende aderir àquela organização.
No entanto,é preciso não esquecer que foi necessária a intervenção do Presidente Francês General Mac-Mahon(1808-1893) para que Lourenço Marques(actual Maputo) passasse a ser Português na disputa territorial com a Inglaterra em 1875.
Com efeito , este Estadista , votou favoravelmente as pretensões Portuguesas enquanto árbitro do litígio Luso-Britânico , ficando assim Lourenço Marques ( a actual Maputo)a pertencer ao território Moçambicano.
É evidente que houve diferenças entre o processo de colonização Moçambicano e o Zambiano , entre o Colonizador Português e o Colonizador Inglês , entre Descolonização Portuguesa e a Inglesa.
Mais ,a identidade do Povo Moçambicano está basicamente alicerçada na Língua Portuguesa , daí a minha enorme dificuldade em admitir que a Língua Inglesa poderá substituir futuramente o Português em Moçambique como Língua Oficial.
É que em Moçambique está-se ainda num processo de aprendizagem do Português/Português nas zonas urbanas,suburbanas e rurais e por isso mesmo se fala em função da realidade no terreno.
No entanto ,existem regiões isoladas onde só se falam as Línguas Locais"Nacionais".Talvez aí fosse possível , mas é manifestamente muito pouco para um território tão vasto com cerca de 16 milhões de habitantes como é Moçambique.A ser verdadeira a hipótese descabida da substituição da Língua Portuguesa pela Inglesa em Moçambique ,não seria mais lógico que os Ingleses investissem no Ensino da sua Língua a todos níveis nas zonas rurais Moçambicanas uma vez que é aí que as populações não estão sequer alfabetizadas,o que felizmente não acontece?
De que estão à espera então os Portugueses?
Aliás ,mais do que falar em substituir uma Língua por outra , não seria conveniente falar antes em Cooperar para Desenvolver Moçambique?
Talvez tudo isto resulte do facto de os Portugueses estarem a agir de forma demasiado paternalista ou até de os Moçambicanos quererem manter um Modus Vivendi através de contrapartidas justificadas e talvez até os Ingleses se divirtam com a situação.
Enfim , é pura especulação!

In "Jornal A Voz do Olhar" e "Revista África Hoje"

Delmar Maia Gonçalves

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eleições na República de Moçambique

Espero que o Partido derrotado aceite pacificamente e com fair play os resultados das eleições Moçambicanas .Faço também votos para que independentemente dos resultados das eleições , o novo Governo do Partido vencedor , saiba interpretar os anseios do Povo Moçambicano acabando com a miséria e a pobreza extremas ( ou trabalhando arduamente para erradicá-las !) , situação em que ainda vive a maioria da população Moçambicana .
Que invista mais na Educação , proporcionando melhores condições profissionais e de vida aos Docentes e investindo mais nas Escolas Públicas ; que invista mais na Saúde Pública , modernizando os Hospitais e proporcionando melhores condições de trabalho e de vida aos Médicos , Enfermeiros e Auxiliares de Acção Médica ;que promova o combate sem tréguas ao grande flagelo do século XX que é o SIDA , através da prevenção com campanhas permanentes de sensibilização e informação ;que olhe com outros olhos os Sobas e os antigos Régulos Moçambicanos na moderna Sociedade Civil Moçambicana .
Finalmente , que a postura dos nossos Dirigentes mude para sempre.


Delmar Maia Gonçalves

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Angola - Antes da Paz

Em Angola as duas partes (MPLA / UNITA ) , deverão genuinamente manifestar interesse e vontade de tudo fazerem para levarem a cabo um processo construtivo de busca de uma Paz efectiva e duradoura para o seu martirizado Povo.
Tendo ainda em consideração os superiores interesses da Nação Angolana , as duas partes deverão concordar certamente que é necessário que se ponha de lado aquilo que verdadeiramente as divide e que se concentrem com prioridade e atenção naquilo que as une , com vista a criarem uma base comum de trabalho para , no espírito de compreensão e entendimento mútuos , realizarem um diálogo no qual debatam os diferentes pontos de vista.
Por outro lado , as duas partes deverão reafirmar claramente estarem prontas a empenhar-se profundamente e no espírito de respeito e compreensão mútuos , na busca de uma verdadeira plataforma de trabalho para pôr fim à guerra , e criar condições políticas , económicas e sociais que permitam trazer uma Paz genuína e não "podre" e normalizar a vida de todos os Cidadãos Angolanos.
É necessário finalmente que sejam definidas fronteiras de interesses para que cada uma das partes saiba e se comprometa com o princípio de que , onde começa a Liberdade de uns , termina a dos outros e vice-versa!

Delmar Maia Gonçalves