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sábado, 4 de abril de 2015

Sobre "Contando até Dez" de Rejane Machado


A obra “CONTANDO ATÉ DEZ” de REJANE MACHADO, uma Escritora Carioca, navega tranquilamente pelos turbulentos mares da crítica literária, percorre serena as pistas pacíficas da autoajuda, vagueia docemente pelo território das receitas culinárias e desagua nas crónicas de vida revelando o prazer de quem escreve e voa livre degustando, e bem, as palavras, uma espécie de ladrilhadora da palavra. Opção, decerto,  arriscada, mas calculada e acertada.
Nas suas sábias palavras, propositadamente e pela primeira vez não se esconde por detrás de personagens que vai inventando, reinventando, criando e recriando na sua já longa, vasta e prolífica produção literária.
Valerá a pena descobri-la e redescobri-la nos múltiplos caminhos que percorre.
É que há palavras que são como os seixos; há palavras que são como o mar. E o mar como sabeis chega ao infinito.
Muito haveria a dizer sobre a obra e a autora mas “as palavras são tão densas que prefiro suprimi-las”.
Bayete.

DELMAR  MAIA GONÇALVES
(ESCRITOR E PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA)

Antologia Fernando Pessoa e Convidados





NOTA DE APRESENTAÇÃO

Fernando Pessoa foi um importante poeta português, considerado hoje uma das figuras maiores das literaturas escrita, dita e falada em Língua Portuguesa.

Nasceu a 13 de Junho de 1988, às treze horas e vinte minutos, no Largo de São Carlos nº4, 4º Esquerdo, em Lisboa, filho de Nogueira Pessoa, natural de Lisboa, 38 anos de idade e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira de 26 anos de idade, natural da Ilha Terceira no Açores. Estes pormenores não seriam importantes, não fora o poeta um ilustre esotérico. Seu pai, funcionário público do ministério da justiça era crítico musical, e quando morreu deixou-o com apenas 5 anos de idade. Aos 6 anos de idade morre o seu irmão Jorge, altura em que cria o seu primeiro heterónimo o Chevalier de Pas. Com apenas  anos de idade, escreve a sua primeira poesia, uma quadra dedicada à sua amada mãe. Nesta altura, parte com a mãe para a casa do seu padrasto o Comandante João Miguel Rosa, Consul de Portugal na República Federativa da África do Sul. Em 1901, com 13 anos de idade, escreve o seu primeiro poema em inglês, ano em que regressa a Portugal, abalado, navegando os oceanos para acompanhar o corpo da sua irmã Magdalena Henriqueta, falecida em Durban. Em 1902, vai aos Açores, à Ilha Terceira, com a mãe para estar com a família materna.

Regressa novamente a Durban para estudar. Em 1906, regressa a Lisboa e passa a viver com a mãe e o padrasto. Após a morte da sua avó Dionísia, deixa Lisboa e vai viver sozinho em Portalegre, tendo regressado a Lisboa para montar uma tipografia. E quando falamos de Fernando Pessoa, de quem falamos realmente? De Ricardo Reis? De Alberto Caeiro? Ou de Álvaro de Campos? Certamente de todos num e do mesmo em todos. Todos estes acontecimentos, referidos anteriormente, moldaram o homem e o poeta que foi, como dizia o próprio poeta poliglota, ainda que precocemente “adivinhador de futuros” – Estou cansado de confiar em mim próprio, de me lamentar a mim mesmo, de me apiedar com lágrimas sobre o meu próprio eu – e sem dúvida marcou o seu lugar no mundo quando afirmou – Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ou natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constituí a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são artifícios. Por isso, esta justa homenagem ao poeta maior da língua portuguesa, no seu dizer Pátria sua, consegue gerar unanimidades e consensos sobre a sua reconhecida grandeza, reunindo poetas de países diversos irmanados pela poesia e pela língua comum, embora abraçando sua heterogeneidade e universalismo. No entanto, é bom que fique sempre claro, que “cada homem é um oceano.  Nunca chegamos verdadeiramente a conhecê-lo” e que “a poesia é a expressão sublime do real e do imaginário surreal”.

Sempre afirmei que o poeta se revela na generosidade com que se dá aos outros. Fernando Pessoa sempre se ofertou ao mundo, almejando um futuro melhor e renegando o hoje que o desencantava, por isso escreveu – Amanhã é dia dos planos. Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo. Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã – aqui se revela o poeta visionário, que premonitoriamente prevê o seu futuro.

Aos poetas antologiados apenas se pode pedir que continuem dignificando o sonho deste poeta maior, dignificando-se.


Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"Da Poesia? Ou de como se justifica um ponto de interrogação." de Jorge Viegas


PREFÁCIO

Ao escrever este prefácio a pedido do poeta Jorge Viegas, sinto enorme responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma grande alegria por estar a fazê-lo por um amigo que respeito e um autor que aprendi a admirar. Outra coincidência feliz, é que, ambos recebemos a bênção ancestral quelimanense e somos provenientes do torrão Zambeziano. Se bem me recordo, li algures que o sábio Lao Tsé já afirmara que “A humildade é a maior das virtudes” e nós sabemos que a humildade é tão velha como a história da civilização humana.

Ao conhecer o Poeta e o Homem, pude constatar que a modéstia, por vezes exacerbada, é a sua principal marca/ característica/ virtude, embora não seja a única que possui. Trata-se, na verdade, de um excelente poeta e declamador moçambicano, hoje, na diáspora. Em várias tertúlias e encontros sempre elevou vários nomes quer da literatura moçambicana, quer da literatura universal, chamando-lhes de poetas-maiores, quase ignorando o seu. Embora estejamos de acordo em múltiplos aspectos da literatura, neste aspecto particular, permitam-me discordar dele.

Sempre acreditei que para que a nossa estrela brilhe não é necessário apagar a luz de ninguém. O mesmo se aplica no sentido inverso. Pelo que, é de inteira justiça afirmar que ele próprio já faz parte de uma galeria de autores que ficará para sempre na História da Literatura Moçambicana e augurando futuros, também na Literatura Universal. A modéstia não conseguirá apagá-lo, ainda que, como poeta genuíno que é, procure “naturalmente” praticar zelosamente o poema.

Por outro lado, sempre acreditei que “o poeta se revela na generosidade com que se dá aos outros” e ele fá-lo com total entrega, sem nada esperar ou exigir em troca.

Esta publicação antológica, embora tardia (mas nunca é tarde demais para nada) é inteiramente merecida e faria todo o sentido se acontecesse numa grande editora. Infelizmente, as grandes editoras de hoje (e desde sempre) apontam as baterias recarregando-as nalguns nomes grandes que o são, na verdade, por um apurado trabalho de marketing comercial (entre outros) e não apenas fruto da sua grandeza de facto em termos de criação literária.

Sempre preocupado com a estética, afirma convicto “… o poema só pode ser perfeito se o poeta for dos deuses o eleito”. Profundamente possuído pela modéstia, reafirma “sei que jamais farei um poema nitidamente meu. /A minha visão dos homens, das cousas e da vida, é visivelmente perturbada pela visão dos outros./ São os outros que olham, e não eu.” Será isso a prática do poema? Não poderia deixar de especular sobre este aspecto. É por essas e por outras que acredito serem os poetas uma espécie de vendedores de passados que anunciam um futuro que não foi. Embora cultive obsessivamente a humildade desde muito jovem, como o prova este poema “Carta a Régio”, “Vou tentar mascarar-me de palavras para saudar-te./ Sou ainda não o sabes, decerto, sacerdote da religião que tem um Rimbaud por Cristo…/Venho por mim, umbilical e subjectivo como tu, sensacionista e grande como uma pirâmide,/pedir uma carta de recomendação que me ponha de boas graças com o diabo…”
Como dizia Rilke ”Uma das provas ou desafios, a que tem de se sujeitar o poeta é que tem de permanecer inconsciente e ignorante em relação aos seus próprios dons se não quiser privá-los da sua ingenuidade e da sua pureza!”

Neste livro é difícil separar o conteúdo do autor do mesmo. E isso, é já por si bom sinal, na medida em que estamos perante a harmonia das palavras e a prática das mesmas ou pelo menos da crença nelas, há portanto, uma fusão total entre ambos. Por fim, as palavras revelam a estatura do Autor.

Bayete pois então para o Poeta!




DELMAR MAIA GONÇALVES
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

"Ian Amos Komenský (Coménio)" de Delmar Domingos de Carvalho



Ao ser convidado pelo autor para escrever o prefácio deste valioso livro sobre esta admirável, singular e incomparável personalidade visionária e cosmocrata, com vastíssima formação e qualidades excepcionais, senti-me honrado e feliz. Só podia ser assim, pois razões há-as de sobra.
Comenius é uma daquelas raras personagens da história da humanidade que vale a pena conhecer, ou revisitar, até pelo seu brilhante exemplo de honestidade, coragem, coerência, abnegação e tenacidade. É importante que não nos esqueçamos do contexto e da época conturbada e de enorme intolerância que viveu, além de uma infância marcada por tragédias e dramática solidão.
Julgo ter sido a forma ágil, paciente e sábia como filtrou e absorveu tudo isto e soube inverter a flecha do infortúnio através do cultivo da sabedoria interior que potenciou e desenvolveu, que o tornou num ser raro e extraordinário.
Tantas são as qualidades desta personagem única que se torna difícil enumerá-las.
Vistas bem as coisas de todos os prismas, acaba por ser um empreendimento de grande mérito esta ambiciosa iniciativa editorial do humanista e escritor português Delmar Domingos de Carvalho, prontamente abraçada e apoia-da pela CEMD EDIÇÕES, de convocá-lo para a actualidade num momento particularmente crítico da sociedade em que a palavra crise ganhou uma dimensão que ultrapassa em muito a área económica e atravessa todas as esferas do seu funcionamento e a palavra de ordem é a globalização económica e dos saberes.
E, no entanto, estranhamente caracterizada por muitos avanços e retrocessos, fruto da ganância, egoísmo e ignorância humanas.
Por isso é sem dúvida de saudar e acarinhar o ressuscitamento/ ressurgimento de exemplos concretos de homens que marcaram a diferença em épocas tão ou mais difíceis contribuindo hoje, mais do que nunca, pelo seu exemplo como forma de encorajamento às novas gerações que actual-mente vivem uma impressionante crise de valores, espelho da sociedade em que vivemos e que construímos, sem sentido crítico ou autocrítico, pese embora todas as conquistas alcançadas no progresso da humanidade em todas as áreas.
Como dizia com razão e bem Benjamin Constant “Não acreditamos em nada do que afirma uma autoridade que não permite que se lhe responda.”
Claramente sempre nos faltou tempo para uma aprendizagem da aprendizagem. Chegou pois a hora de fazê-lo retomando o caminho já iniciado no passado.
A aprendizagem é contínua e para a vida
Só um ser humano com a grandeza incomparável e inquestionável como COMENIUS seria capaz de escrever “De rerum  humanarum emendatione consolatio catolica”.
Atentemos a profundeza e grandiosidade desta alma de luz e do seu pensamento: “Por consequência, se quisermos que a desumanidade dê lugar à humanidade, devemos procurar incessantemente os meios de atingir esse objectivo. Esses meios são em número de três: Em primeiro lugar, os homens devem cessar de confiar demasiado nos sentidos e, atendendo à comum fragilidade humana, devem reconhecer que é indigno sobrecarregarem-se mutuamente de ódio por razões fúteis; deverão de um modo geral, perdoar-se as lutas, danos e ofensas do passado. Chamaremos a isso apagar o passado. Em segundo lugar, ninguém deverá impor os seus princípios (filosóficos, teológicos ou políticos) a quem quer que seja, pelo contrário, cada um deverá permitir a todos os outros que façam valer as suas opiniões e que gozem em paz aquilo que lhes pertence. Chamaremos a isso tolerância mútua. Em terceiro lugar, todos os homens deverão tentar, num esforço comum, perceber o que é preferível fazer e para o conseguir, devem conjugar as suas reflexões, as suas aspirações e as suas acções. É aquilo a que chamaremos conciliação.”
Fabuloso legado ao futuro. Um Testamento visionário, um autêntico Tratado do Humanismo.
E COMENIUS pagou caro por ser um “visionário” demasiado avançado para o seu tempo, um autêntico ladrilhador do grande empreendimento humano, pois sabia que se negavam as verdades que eram necessárias à sociedade para que as ciências florescessem e se disseminassem. Sabia também exactamente qual a importância e o peso que tem a livre circulação das ideias que impulsionam e suportam a evolução.
Consideramos por todas as razões e factos enumera-dos um livro vivamente aconselhável e a descobrir que navega pelas águas da reflexão, Biografia histórica, Pedagogia, Didáctica, Educação, Teologia ecuménica cosmocrata, Filosofia, Direito, Política, Retórica, Fotografia, Arte e Literatura. Sempre em sentido ascensional.
Basta ler, escutar, sentir e conseguimos ver.
Kanimambo Delmar Domingos de Carvalho. Bayete!!!



DELMAR MAIA GONÇALVES
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PREFÁCIO do livro “Olhar de uma Africana” de Margarida Tavares


Pediu-me a amiga e “soba” MARGARIDA TAVARES (uma verdadeira lição de vida em carne viva), das ilhas crioulas de CABO VERDE que escrevesse um prefácio em tempo record, para este “Olhar de uma Africana”.
O tempo foi curto para um empreendimento desta dimensão, natureza e responsabilidade, e o nível de auto-exigência desproporcional. Mas o que fazer? Dizer não? Como resistir ao apelo da África viva? Como resistir ao apelo da poesia? Como resistir à fraternidade humana? Como resistir ao apelo da Lusofonia?
A Autora, “mais um precioso pedaço de pau-preto disseminado pelo Mundo”, nas palavras da malograda e grande Poeta Moçambicana NOÉMIA DE SOUSA, abraça a Lusofonia como quem se embrenha num Poema inacabado para finalmente concretizá-lo.
Decifrar seu universo enigmático e singular, no plano de uma poética subjectiva, torna-nos ainda mais cúmplices de uma experiência ou conjunto de experiências que envolvem a própria vida.
Mas, não é verdade que cada ser humano é ele próprio uma ilha nascendo noutras ilhas?
Fica-nos a poética pujante e pungente de MARGARIDA TAVARES, uma mãe coragem de África, para com ela nos deliciarmos e descobrirmos também as ilhas que há em nós, individual e colectivamente, para finalmente redescobrirmos a maravilha da infalibilidade da interdependência.
Este livro, como a Autora, é de uma audácia que vale a pena descobrir.
Títulos como “Os líderes Africanos”, ”Regresso de um Emigrante”, ”Preto”, ”Africana”, ”Crianças Africanas”, ”Estudantes Africanos”, ”Cabo-Verdiano”, ”Continente Africano”, entre outros, provam que a África vai pulsando nas diásporas e sugerem o orgulho nas/das origens, o orgulho de ser Africano e um claro e pujante apelo fraterno da presença Africana no mundo. Na verdade, tudo o resto estará nas entrelinhas do subjectivo e secundário, que África não se encerra nunca nas páginas dos livros e MARGARIDA TAVARES cantá-la-á sempre e enquanto respirar e, ainda mais, sempre que um Leitor atrevido e sedento devorar esta obra que urge descobrir e redescobrir.
É fundamental, pois, que cada um de nós ao lê-lo, olhe bem para dentro de si próprio para adquirir a consciência da sua magnífica solidão que nos enriquece e enriquecerá sempre na diferença.
África essa continuará a dançar na autora ao som dos batuques, em nós Leitores e no Mundo, através destes belos, altivos e fraternais Poemas.

DELMAR MAIA GONÇALVES

(ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA – CEMD)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Agenda 2015 Literarte-CEMD




A agenda artístico-literária da Literarte/CEMD 2015 é um tesouro cada vez mais raro no contexto actual global em que vivemos e nos movemos. Na verdade, há viventes que tentam matar a poesia da vida, para que a descrença predomine. E sabemos bem que a poesia é vida. É missão por isso dos escritores, poetas e artistas plásticos devem remar contra a maré, declarando claramente alto e bom som – BASTA! Viva a Poesia da Vida!
Estamos perante um desafio gigantesco de empreendedorismo artístico, voluntarioso, que certamente dará os seus frutos. A perseverança triunfará finalmente sobre a descrença que, moribunda, sucumbirá!
Faça-se pois luz onde pouco ou nada se faz, onde nunca se fez e calem-se os rumores!
A arte da escrita reergue-se nesta agenda que trás consigo a grande virtude de criar pontes e marcá-las, provando que só desta forma se cumprirá o lema: “Abrindo os caminhos da Lusofonia!



Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Semillas Divinas (Edição em Espanhol) de J. C. Bridon, com prefácio de Delmar Maia Gonçalves



PRÓLOGO (Semillas Divinas)
O que dizer quando um crente encontra a poesia nas entranhas da alma? E quando a poesia encontra o crente entranhado nela? E quando a poesia se entranha na crença? E quando a crença se entranha na poesia? E quando a poesia é o espelho da crença? E quando uma e outra se confundem?
Como dizia Virgínia Woolf “As obras de arte são de uma solidão infinita e nada as pode abordar pior do que a crítica” e acrescentava ainda “só  amor as pode apreender e preservar e ser justo com elas”. Por isso, se torna difícil analisar criticamente uma poesia que respira e transpira pelos poros de um amor pleno.
Mas quando o místico e a poética se fundem onde mora a solidão do criador artístico? Segundo Rilke “… o criador tem de ser um mundo só seu e tudo encontrar em si mesmo e na natureza a que se uniu”. É  o caso deste poeta que tudo busca em si e no universo místico a que se uniu, fundindo-se integralmente nele.
E para que tal suceda, é necessário que a busca interior aconteça e a fluidez transparente da sua escrita denuncia ter sido feita uma fusão natural numa caminhada singular de busca pela elevação espiritual, como o prova quando diz “en las noches calidas/ intento escuchar tu voz, Señor/ para com ellas crecer en la vida/ y tornar me uno contigo”.
A esperança e a fé continuam quando o autor sublinha finalizando insistente “en el amanecer sereno y calmo / dejo mi mente vagar/ y traer para mi vida/ tus más bellas y sublimes enseñanzas”.
Uma bela lição de humildade perante o omnipresente, perante a fé e a crença, num mundo de claro domínio da crise de valores e da ascensão de contravalores.
Como dizia o poeta Kahlil Gibran “A vida é uma procissão” e por isso “possa Deus alimentar os superabundantes”.
Força e em frente Poeta Júlio Cesar Bridon dos Santos!


Delmar Maia Gonçalves
( Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)




[traduzido para espanhol para a edição original do livro lançado no Chile]

PRÓLOGO
Lo que decir cuando un creyente encuentra la poesía en las entrañas del alma? Y cuando la poesía encuentra el creyente entrañado en ella? Y cuando la poesía se entraña en la creencia? Y cuando la creencia se entraña en la poesía? Y cuando la poesía es el espejo de la creencia? Y cuando una y otra se confunden?
Como decía Virgínia Woolf “Las obras de arte son de una soledad infinita y nada las puede abordar peor que la crítica” y añadía aún “sólo amor las puede incautar y preservar y ser justo con ellas”. Por eso, se hace difícil analizar críticamente una poesía que respira y transpira por los poros de un amor pleno.
Pero cuando el místico y la poética se funden donde vive la soledad del creador artístico? Según Rilke “… el creador tiene que ser un mundo sólo suyo y todo encontrar en sí mismo y en la naturaleza a que se unió”. Es el caso de este poeta que todo búsqueda en sí y en el universo místico a que se unió, fundiéndose íntegramente en él.
Y para que tal suceda, es necesario que la búsqueda interior acontezca y la fluidez transparente de su escritura denuncia haber sido hecha una fusión natural en una caminada singular de búsqueda por la elevación espiritual, como lo prueba cuando dice “en las noches calidas/ intento escuchar tu voz, Señor/ para com ellas crecer en la vida/ y tornar me uno contigo”.
La esperanza y la fe continúan cuando el autor subraya finalizando insistente “en el amanecer sereno y tranquilo / dejo mi miente vagar/ y traer para mi vida/ tus más bellas y sublimes enseñanzas”.
Una bella lección de humildade ante el omnipresente, ante la fe y la creencia, en un mundo de claro dominio de la crisis de valores y del ascenso de contravalores.
Como decía el poeta Kahlil Gibran “La vida es una procesión” y por eso “pueda Dios alimentar los superabundantes”.

Fuerza y enfrente Poeta Júlio Cesar Bridon de Santos!


Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Nota Introdutória da Antologia "De Corpo Inteiro"




“Basta um olhar para te sentir
Basta um sorriso para te compreender.”


Este 4º Festival Internacional de Poesia “Grito de Mulher” resulta duma enorme vontade do Movimento Internacional de Mujeres Poetas Internacional e do CEMD de homenagear a mulher - “mulher de corpo inteiro”  – a mulher mãe, a mulher irmã, a mulher esposa, a mulher amante, a mulher santa, a mulher prostituta, a mulher deusa e, portanto, a mulher enquanto Ser Humano que complementa e completa o homem, tornando o mundo mais colorido e belo.
A presença da mulher em qualquer circunstância ou contexto torna as sociedades mais harmoniosas, reforçando os laços emocionais que nos ligam e massificando pelos valores a sensibilidade em contexto, lugares e circunstâncias, que de outra forma, dificilmente se manifestariam.
As diferenças que nos separam, são aquelas que, simultaneamente, também nos unem.
No caso da mulher, esse ser belo e envolvente, acontece mesmo que a sua presença nos enriquece pela diferença. Com ela encontramos, equilíbrios, sintonias, unanimidades e consensos, mesmo nas coisas mais díspares.
É por tudo isto, o que ela representa, de sorriso aberto, de olhar perfeito, de corpo inteiro, uma homenagem justíssima, com bons augúrios da Primavera que floresce.
Siavuma para todas as mulheres do mundo inteiro!



Delmar Maia Gonçalves
(Escritor ,Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD e Curador do FESTIVAL GRITO DE MULHER )

sexta-feira, 7 de março de 2014

Nota Editorial da Revista Cultural Licungo nº1



A revista cultural Licungo, de carácter semestral, literariamente coordenada por mim e pela segunda vez editada, (re)nasce renovada no seio do CEMD Edições. Inequivocamente de uma grande vontade de irmos mais além nos nosso objectivos previamente definidos.
A construção de pontes, hoje, mais do que uma vontade, é já uma certeza e a solidez com que se alicerça, uma enorme convicção. Só se constrói Lusofonia desta forma, com projectos que se concretizam, que envolvem e entusiasmam todos os protagonistas. E a promoção dos autores moçambicanos, vai sendo reforçada e acarinhada, cumprindo o velho sonho que sempre tive enquanto fundador deste Círculo de Escritores. Não poderei de mencionar o enorme e apurado trabalho gráfico, estético e organizacional da poeta portuguesa Vera Novo Fornelos e da excelente artista plástica moçambicana Lara Guerra e as cordiais relações de cumplicidade humana que nos unem, prova viva da lusofonia. Continuo a acreditar firmemente que neste “poema” chamado lusofonia, os oceanos que nos separam trar-nos-ão sempre o barco que nos une. Num universo que se unifica diariamente faz sentido a composição no sentido de mutuamente nos enriquecermos na diferença. Cumpramos, pois, a Lusofonia.

Delmar Maia Gonçalves

(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

Nota editorial da Revista Cultural Milandos da Diáspora



O Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora inicia com esta edição em revista literária (formato de livro), um ciclo que marcará a nossa associação e o departamento editorial da mesma.
Na verdade, antes desta publicação, já havíamos editado o Boletim “Milandos da Diáspora 2012” e apresentado no IV Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
É nestas pequenas realizações, que se poderá construir Lusofonia, sem esquecermos nunca a ambição de irmos mais longe. A Lusofonia não pode viver de palavras.
Por outro lado, a aposta na Língua Portuguesa não deve significar o desprezo e o desinvestimento nas outras línguas “nacionais” de todo o espaço Lusófono, nomeadamente, em Angola, Moçambique, Guiné-
Bissau, Brasil, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Galiza, Macau, Goa e Portugal (lembram-se do Mirandês?).
Os linguistas, professores, investigadores e, sobretudo os poetas e escritores, têm uma grande responsabilidade perante os seus povos e países.
Devem dar um contributo para o desenvolvimento das línguas nacionais, empreendendo um trabalho aturado de escrita, para o que deverá contribuir e muito, por exemplo, a Língua Portuguesa.
Congratulamo-nos pois, com a colaboração neste número, de todos os autores amigos de Moçambique e dos Moçambicanos. Nas nossas diferenças reside a nossa grande riqueza.

Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente da direcção do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

BREVE NOTA INTRODUTÓRIA da Antologia dos Silêncios que Cantamos



Ao publicarmos esta Antologia Dos Silêncios que Cantamos, concluímos com sucesso a construção da ponte da palavra que iniciámos com as apresentações anteriores da Antologia Universal Lusófona Rio dos Bons Sinais e as Revistas Milandos da Diáspora e Licungo, que já incluíam autores moçambicanos na diáspora e na pátria mãe.
Um esforço fraterno que vai de encontro aos objectivos definidos pelo CEMD e dos quais não abdicaremos. Acre-ditamos firmemente, que as palavras são sempre reveladoras, mas os silêncios também.
Esperamos que esta antologia deixe marcas nas águas índicas da palavra e que os caminhos atlânticos se continuem a cruzar nos vates do Índico. Sendo certo, que a travessia se tornará mais deslizante e profícua, cantemos, então,  a beleza e o espanto, pois solitários permaneceremos.

Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora)

Apresentação da Antologia Luiz Vaz de Camões e convidados


Uma homenagem ao poeta-mor e maior de Portugal significa responsabilidades acrescidas. E a Literarte assumiu esse compromisso por amor à poesia e à língua portuguesa, falada e escrita nos quatro cantos do mundo. A arte traz consigo sempre a certeza das incertezas. Mas é aí que reside o belo. Porque os poetas não podem, nem devem jamais, perder a virtude da beleza e do espanto permanente, é preciso crer, é preciso acreditar.
E na poesia abundam as palavras doces e sensatas para atenuar as amarguras, como recorda o velho e sábio provérbio africano: «As palavras sensatas são como a cana-de-açúcar que não se deixa de sugar; o seu sabor não se pode esgotar.»
A diversidade criativa, Literária e estilística é uma bênção que só através de ambiciosos e independentes projetos como os da Literarte, se poderão potenciar e desenvolver, para finalmente se afirmarem.
«As palavras deixaram de jogar, as palavras fazem o amor», já dizia André Breton e aqui se confirma neste Encontro/Reencontro de vozes heterogéneas confirmando também outro poeta maior, Fernando Pessoa, «Para ser grande sê inteiro».
Da janela Ibérica do Atlântico, o Índico abraça o imenso oceano da Língua Portuguesa, concretizando a Lusofonia. E é quando estou na poesia, que tudo, mas tudo, me parece profundamente claro.


Delmar Maia Gonçalves
(Escritor ,Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora -CEMD e Conselheiro da Literarte para Moçambique)
  

Prefácio do livro " A Lua de N'Weti" de Sónia Sultuane


PREFÁCIO
Por DELMAR MAIA GONÇALVES
Dizia-me a Autora deste belíssimo livro, escrito numa linguagem acessível, simples e cristalina, podendo afirmar-se mesmo, que perpassa a candura e a inocência poética da infância (que é o centro crucial do furacão da vida), e que vivamente recomendo, como quem me segreda sabiamente o   silêncio das pedras que gritam e só o coração responde, que tinha de ser “eu” o prefaciador, assim mesmo como um pássaro que assobia aos seixos.
Obrigado digo eu vida que me trouxe aos meus sentidos!
Com uma sensibilidade à flor da pele, guiada pela lua, escreveu a história que dedica a filha que não teve. Não tenho dúvidas que se trata de uma poética “declaração” de amor incondicional à lua. A lua que cabe nas mãos do mundo que a abraça e ampara permanentemente, incondicionalmente.
Não falarei pois do Livro ou da história, mas irei deixando marcas nas águas índicas deste e da sua Autora, um pouco  como os irmãos moçambicanos de etnia Makonde, que sabem que havendo uma aura de mistério e segredo rodeando  a preparação das  máscaras e a dança propriamente dita, sendo, por  exemplo, importante que  não se  saiba   a identidade  do dançarino, todos querem ficar para   descobri-lo.
Ela  murmura esse segredo aos quatro ventos “lunares” e conta-nos  como quem guarda muitas crianças dentro de si e precisa de respirá-las. Diga-se de passagem, que, sempre  cúmplice,  adormece ao colo da lua que a aconchega e serena. Há algo de mágico e revigorante neste “ritual”.
A lua faz parte desde sempre das mitologias das grandes civilizações antigas, mas também das contemporâneas e está presente em múltiplos aspectos e questões fundamentais das sociedades modernas, atravessando mares e oceanos, percorrendo continentes.
E quantas vezes não ouvimos falar dos mitos associados às noites de lua cheia?
O que dizer desta misteriosa relação de magnetismo puro que atrai amor, fascínio  e medo em simultâneo, e que dominava N’WETI?
Esta menina que teve sempre o coração dividido entre a  inocência pueril, a tradição mítica e a misteriosa, mágica, solitária e bela companhia  amiga da lua, que nos ilumina e renova.
Mas quantas vezes  não  nos acontece desvalorizarmos o que temos por garantido e valorizarmos apenas  o que não temos ou nos parece inacessível? E não é comum o temor ao desconhecido?
Só a vida e as circunstâncias ensinaram N’WETI que sentir a longa ausência da lua era como correr desesperadamente em volta de uma montanha e não encontrar a forma de lhe descobrir a passagem. E a planta da sua vida já não podia dispensar a presença e companhia reconfortante da lua.
Depois, dizem as lendas: «sempre que  a lua nasce, nasce também algures um pequeno “princípe” ou “princesa” que iluminará o mundo com seu perfume singular».
A lua banha-nos a alma e a esperança adormecida.
Não nos esqueçamos nunca que as lendas são a poesia da história. Poderíamos viver sem elas?
Como dizia e bem KAHLIL GIBRAN , «existe um espaço entre a imaginação do homem e a  sua realização, apenas transponível  pelo seu desejo».
Oxalá, então, que sejam muitos os que querem embrenhar-se nesta história, com poesia da lua. E que fique eu definitivamente calado como um pássaro Xirico sentado aos pés de uma pedra, a ver entrar decidida e magicamente pelo ar dentro das pessoas esta história acetinada de sensibilidade  da SÓNIA SULTUANE.
Karingana Ua Karingana…! Karingana!!!
Karingana Ua Karingana…! Karingana!!!
“A LUA DE N’WETI”

DELMAR MAIA GONÇALVES
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos - CEMD)


Prefácio do livro "A vida inspira-nos" do poeta angolano Márcio Batalha



Qualquer literatura tem o seu futuro assegurado quando possuí jovens autores a iniciarem-se na carreira literária. Doutra forma, que continuidade seria assegurada e quem a asseguraria? Afinal, Angola está viva, bem viva na Literatura  que produz com  o prolífico activismo cultural dos Jovens da Brigada.
O grito que aqui surge é o de um jovem escritor angolano, que,  sendo defensor do Status Quo, tem os olhos postos no futuro e sonha de olhos abertos um futuro melhor para Angola, com união, paz e harmonia e também a nível pessoal.
E quem disse que só auguram um futuro promissor apenas os defensores do caos? Também há as vozes da razão e do bom senso.
Depois, há o amor. Amor que o autor a todos tem para dar e nada mais. Nada mais? Muito mais, que o passado é um cadáver que deve ser arrumado  numa gaveta sem fundo e fechada a sete chaves para que o amor respire e ressurja com a força de um leão e à velocidade estonteante de uma impala e, finalmente, permanecer, mas como um furacão que nunca é violento, por isso, permanece sobrevivendo às tormentas. Com o amor tudo volta ao normal e o grito transforma-se em canto. Ouvem-no? Oiçam-no. Tem melodia e verve. É esta a força poética do verbo que este poeta nos transmite convidando-nos ao efeito de espelho.
Ao lermos com atenção cada um dos seus poemas, sentimo-nos convidados à auto-reflexão, assim como um “xirico”, que escuta melodiosas canções, que nos inquietam mais do que nos embalam. Não é o Ser Humano o buscador incessante da perfeição?
É que, até as máscaras da vida que usamos, são do mais profundo e labiríntico dos mistérios. E o erro? Quem disse que o erro não faz parte do nosso processo de crescimento e maturação?
Nunca nos esqueçamos que só poderemos julgar os outros pelo conhecimento que tivermos de nós mesmos. E quem disse que o amor é um projecto perfeito de adivinhação sem tormentos? Depois, bem dizia o poeta libanês Khalil Gibran “O homem é dois homens; um está acordado na escuridão, enquanto o outro dorme na luz”. Quase sempre o julgador está preso na cela do seu julgamento, enquanto o julgado expectante tem um amplexo aberto para partilhar. Por vezes, é preciso procurar todos os homens para nos conhecermos a nós mesmos.
Como dizia, mais uma vez Khalil Gibran“ A realidade do outro não está naquilo que te revela, mas naquilo que não pode revelar-te”.  Não é por acaso que se diz que os poetas são uma espécie de vendedores de passados que anunciam um futuro que não foi. E que é feito do presente? Na poesia não há impossíveis, também por isso “A Vida inspira-nos”. Basta que o/a leitor/a a devorem depois de esta alimentar insaciavelmente o inspirado Vate.
Bayete Poeta Márcio Batalha!
Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

A Poeta da Utopia



Bom seria, que eu, enquanto poeta e prefaciador, fosse capaz de resumir a força do verbo que esta poeta vianense transporta e transmite. E a força de natureza poético-literária pode ser travada? Bem o diz a poeta em “Culto Oculto” : “ouço os vossos pensamentos/… nada em vós me é oculto/ penetro no vosso culto” e remata “e o que era estranho e escuro/ ilumina-se num coração puro”.
Em que momento a poeta e sua poesia pungente não se fundem e confundem formando um “corpus” único? A fusão acontece com a intensidade poética de uma flauta, como afirma “Procurei o silêncio/ no meu silêncio/ e escutei uma flauta/ que vibrava intensamente/ não há silêncio/ no meu silêncio…”.
A sua estreia no singular como autora de obra individual, não a coíbe de convicta reafirmar o que facilmente descobrimos ao lê-la “uma jazida de ideias/ é o que eu sou (…) uma dualidade sinergética/ que faz surgir as ideias”.
Depois, há sempre o sabor titubeante e quimérico das palavras que se desfolham e desnudam. Por vezes, a ternura também fere e, por vezes, também encanta. Das memórias se fazem histórias e  das histórias, poesia. Por isso, profética, reclama “Não há um caminho/ meio andado/ nem dois por andar/ mas um destino/ ainda por chegar”.  São memórias de quem as guarda no baú da sua “meninice” e no auge da sua maturidade como um tesouro. E bem se define ao afirmar “Sou um livro/ publicado/ na mortalha/ de um cigarro/ queimado”.  A emoção à flor da pele, com a palavra certeira, como uma arma que procura o alvo sem ferir, mas evita o falhanço ao constatar “se parar para pensar/ vou ouvir o vento/ e se o vento for o pensamento/ vai voar/ vai se libertar/ das amarras do tempo”.
Sensibilidade poética, que capta a essência do poeta numa rajada ao resumi-la cantando “A alma dum poeta/ é feita da quinta essência do Universo/ é alma desfeita/ e refeita num só verso”. E quem pode mudar o destino de uma poeta que vive numa roleta oculta e, que, paciente, define “A espera” como “uma  lamparina/ que se incendeia/ de esperança”? Bem nos avisa como leitores atentos “Compreende/ o voo/ das aves/ não te detenhas/ na articulação/ das suas asas”.
E um ciclo novo se abre com esta obra, quimericamente objectiva, que nos alerta para o “Culto Oculto”. Haja, pois, um diálogo genuino entre o leitor e a autora da utopia convicta, pois “A vida/ segue/o seu percurso/ natural/ como um rio/ que fluí/ voluntariamente”.
Bayete Poeta!


Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os Cadernos Moçambicanos Manguana

Os Cadernos Moçambicanos Manguana são um espaço de reflexão, divulgação, crítica, análise e debate, onde se pretende abarcar, não só a literatura moçambicana, como também as dos outros países de língua portuguesa. Constituindo-se como um grupo informal de amigos moçambicanos (1), em torno de uma paixão comum e partilhada, tem como objectivo dar expresão a um processo criativo, muitas vezes ignorado e marginalizado, trazendo-o para a luz do debate de ideias, de ideais, da crítica e da troca de opiniões. Tendo nascido num reencontro de moçambicanos na Embaixada de Moçambique em Lisboa, este projecto ficou decidido e definido na Livraria Ler Devagar em Lisboa.
Assumo como o desejo primordial a integração de um número cada vez maior de elementos moçambicanos, transformando-se, desta forma, num projecto abrangente, alargado e transversal.
Não se arrogando à pretensão de se vir a constituir como movimento ocorrente, normativa e/ou estilística. Procura antes, fazer da sua intervenção um passo, bem vincado, no amadurecimento de novos discursos, dando particular destaque a projectos de fusão com as outras linguagens culturais e artísticas. De cariz profundamente ecuménico, no que este assume de universalista, ao nível da integração em respeito pela divergência de conceitos, conteúdos e formas.
Fundamentalmente, pretendemos estabelecer uma ponte para o futuro, um sistema global de comunicação intercultural, e onde poderá surgir a realidade de um homem plural, aberto, flexível, capaz de assumir a unidade da lusofonia pela consolidação e divulgação da diversidade e da sua riqueza.

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 03 de Fevereiro de 2004.
In Antologia Cadernos Moçambicanos Manguana nº 2 (contracapa)
(1) Constituido por Delmar Maia Gonçalves, Jorge Viegas e Renato Graça.

sábado, 22 de agosto de 2009

A Propósito da Poiesis

Ao ser convidado para escrever o prefácio/reflexão da Poiesis, pensei em poesia.
A poesia é algo que retrata o complexo e dinâmico equilíbrio instável entre a ordem e o caos, tentando assim interpretar o real, na sua forma mais sensível, o que por si só se torna complexo.
Todos os pontos tentam expressar tudo isto além de alcançar a “expressão de si próprio” com mais ou menos simplicidade e mais ou menos hermetismo.
A linguagem poética é de longe, a linguagem humana mais perfeita, mais original e rara. Como dizia Octávio Paz, “se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios”. Acontece que não o fazem.
Poiesis é poesia pura, é paixão, é sabedoria sem sistema, contrariando o gigantesco sistema literário vigente que se mostra fechado, triste, inócuo e pouco profícuo.
Como dizia o genial Tom Peters, a propósito do complexo fenómeno educativo “ou há paixão sem sistema ou sistema sem paixão. É preciso ter as duas coisas.”
Na poesia é assim, ou há paixão ou ela não existe.
A grande diversidade de textos poéticos (em prosa e poesia) apresentados neste projecto, é o garante da sua originalidade e da extrema riqueza que constituí a obra.
Esta obra não é apenas mais um espaço de divulgação poética e para-poética, é um espaço aberto com dimensão cultural alargada e única. É a lusofonia em ebulição, verdadeira, concreta, que nem os políticos são capazes de construir e muito menos de destruir porque dá um sentido profundo aos processos criativos na Língua Portuguesa, língua mãe em tantos e tão diversos espaços criativos.
É um espaço que não é hesitante, pelo contrário é futurista, pluricultural, “intercultural e multicultural” por excelência.
Acredito que a despeito da diversidade e multiplicidade do fenómeno literário, é possível construir-se uma poética universal ou um discurso homogéneo, situando-se a literatura numa espécie de zona incontaminada das ideologias , conferindo-se-lhe um prestígio especial e isolando-a de todas outras formas de discurso.
Nesta perspectiva, discutir o cânone significa questionar um sistema de valores instituído por grupos detentores de algum poder cultural, que legitimaram um repertório, com um discurso, por vezes, classificado de globalizante; esta questão prende-se com a exclusão de uma significativa produção literária vigorosa, oriunda de grupos minoritários nos centros hegemónicos, e da desclassificação ou inclassificação de uma crescente e significativa, produção literária.
Que continue pois a poesia a florescer, surgindo e ressurgindo, nascendo e renascendo, crescendo e amadurecendo! É bom para a literatura universal.


Delmar Maia Gonçalves
Parede/Wimbledon/Londres, 25/28 de Agosto de 2006