quinta-feira, 21 de maio de 2009

Aterrei completamente só num aeródromo sem pista. Terei pois, de evitar a explosão.


Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 6 de Dezembro de 2008.

domingo, 17 de maio de 2009

Somos quem somos
nem mais
nem menos
apenas somos!


Delmar Maia Gonçalves
Carnide, 24 de Abril de 2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Diário de Mim

Em Lisboa
passeio pelo atrium
que é uma feira de vaidades
que ecoa
dos copos beijados
por lábios carregados
de sensual batôn
gostos e sabores se entrecruzam
"Espelho meu, espelho meu
quem é mais linda do que eu?"
continuo divagando nocturno
vagabundeando
sem soltar os meus cães negros
passeio pelo Chiado
e aprecio o desfile da vaidade
a sublime vaidade
de corpos curvilíneos
cada um melhor ainda
que outro
olhares indiscretos se entrecruzam
uns na defensiva
outros convidativos
o dinheiro não pára de circular
as carteiras mirram
de tanta solicitação
a cada passo
algo novo, diferente
"Espelho meu, espelho meu
Quem é mais linda do que eu?"
Quem pára
este combóio
que não tem travão?
Que magia é esta
que nos mantêm atados
e impotentes?
Que magnetismo é este
que nos atrai e convida
permanentemente?
passeio pelo
Cais do Sodré
onde termina
a passerelle
e o desfile aí
não é de vaidades
é de predadores
e presas.
Presas fáceis e predadores!
Em que o euro
fala mais alto.
Parece não haver
distinção entre
rostos e corpos
tudo o que vem à rede é peixe!
dirão os predadores.
Eu quero é sobreviver!
pensarão as presas fáceis.
Que impotência é esta
que nos mantém prisioneiros?
Que crença é esta
num fatalismo que não é?
Não haverá mesmo
outra saída?

Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 17 de Dezembro de 2005.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Resposta ao Mestre José Craveirinha

Sabe Mestre…
Hoje os peidas gordas
Já não tem cor nem raça
E no entanto a táctica de por K.O.
Essa espécie com um punch
Ao primeiro round
Aumentou consideravelmente
E garanto-te também mestre
Que já existem mais peidas…
Os peidas magras
E os peidas minguadas
De tanta ignorância instalada
Já se confundem
E fundem,
Joe Louis
Com Max Schmelling
E os Skin Head’s, Neonazis emprestados,
Apregoando nacionalismos exacerbados
Fazem vendettas urbanas
Organizando linchamentos surpresa de negros e gays
E os tribunais de tão democráticos
Libertam-nos sob caução ou já com pena suspensa
E no final ficamos todos a perder,
A perder no evoluir
Da regressão, alguma humanidade
E ficamos sem um pingo de vergonha!

Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 10 de Setembro de 2007.

A Solidão

Um famoso cantor francês afirmou numa das suas canções: "A solidão não existe".
No entanto, esta mensagem de esperança não convence os que diariamente se confrontam com esta triste realidade.
Há muito sofrimento no Mundo, mas o maior é sentir-se só. Estar só representa para muitos deles um pesadelo. O Homem tornou-se cada vez mais egoísta e insensível. Com efeito, há que destacar o apoio humanitário que tem sido prestado a Moçambique pelos países ocidentais e que lamentavelmente o fazem desinteressadamente.
A fome é um problema cuja resolução está no diálogo e cooperação entre os países desenvolvidos e os chamados países do Terceiro Mundo. Mas não será certamente com a ajuda alimentar de emergência que se combaterá a fome.
Há que elaborar programas de desenvolvimento agrícola concretos que levem à resolução definitiva deste problema. Mas para que isso aconteça é necessário que os países desenvolvidos se empenhem de forma tão interessada quanto os países destinatários dessa mesma cooperação. As fictícias divergências ideológicas devem ser postas de lado em nome da dignidade do Homem.
Moçambique, país potencialmente rico em termos agrícolas, necessita de ajuda alimentar de urgência em virtude da guerra de destabilização que lhe é movida, mas também necessita de toda a compreensão e cooperação para a sua realidade específica.
"Por favor, não deixem que o povo moçambicano se sinta só!"


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 15 de Fevereiro de 1989
in Jornal quinzenário "Africa"

L'arme Secrete

Dedicado a todos os Jornalistas, Escritores, Poetas, Professores e Intelectuais Africanos, em especial, ao Ricardo de Melo e Vincent Francis de Angola e África do Sul, respectivamente, sem esquecer o meu compatriota Carlos Cardoso.

Voici mon arme
Empoignée à la main droite
Puissante arme
Qui tanis ennemis craignent
C'est ironique
Mais ils la empoignent aussi
Pour des buts divers, c'est clair
Voici mon arme
D'où tout s'espère
Tout de bon et tout de mauvais
Voici mon arme
Qui fait partir
Mais qui ne blesse pas,
Qui promouvoit et dépromouvoit
Voici mon arme
Voici-la ici!
Ici et en ce moment,
Prête a déferler
Des rudes coups sur l'ennemi
Sans cependant tuer.
Voici l'arme
Qu'a toutes les couleurs,
Mais n'laissez pas d'être arme!

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 25 de Julho de 1995.

Séfora


Os grilos cantavam
alegremente
melodias da primavera
Os lírios dançavam ondulando
e Séfora procurava
futuro melhor
acompanhando as melodias
com alegria e cantarolando.
Um dia...
Quando Séfora
retornava a casa
foi impedida para sempre
de dasabrochar
alegremente...!
Contra tudo
e contra todos
um predador humano
havia-se antecipado
impedindo
que a lei da natureza
concretizasse o futuro.
E os grilos cantaram
nesse dia
a melodia mais triste de sempre
e os lírios secaram e arderam
porque Séfora
adormecera para sempre!

Delmar Maia Gonçalves
Carnide, 15 de Maio de 2006.

Ilustração:
"Séfora"
De Fabio Inglese
(Artista Plástico Italiano)
Lisboa, 2007.

Em Timor também há Pulgas

A Pulga
é um bicho
que nos vai
sugando lenta
e sucessivamente
sem nos apercebermos
até minguarmos.
Só sentimos
as suas picadas
de tão indiscretas
que são!
É que...
não gostam
de dar nas vistas!
Ou será
antes...
Não conseguem
deixar de dar
nas vistas?

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 11 de Maio de 2006.

Massacre in Dili

Paquito was sorrow
Paquito was pain
Paquito was hope.

Paquito
Woke up,
Got dressed,
Left.

The telephone rang
It was Clara
A tragedy has taken place
In Dili
There are people dead and injured
There are people imprisoned and missing
There is resistance.
From Paquito
Nobody heard a word
He is missing
Was he killed (?)
I do not know it...

To them
Paquito is dead.
To me
Paquito lives
For
Paquito is resistance
Paquito is Timor
And Timor ... is Life!

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 5 de Maio de 1995.

domingo, 10 de maio de 2009

Estou desperto
Para a eterna
Novidade do mundo
Cada dia
Que passa
Nasço e renasço.
Que drama então
É este que transporto?
O de eternamente renovar-me?

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 18 de Novembro de 2006.