quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quando a hiena vislumbra uma carcaça, não poupa nem uma migalha. É essa a sua virtude.


Delmar Maia Gonçalves
Baixa-Chiado, 4 de Abril de 2008.
Gritarei sempre que os abutres comem das mãos do anjos.



Delmar Maia Gonçalves
Monsanto, 4 de Abril de 2008.
Macabros avisos nos chegam em surdina
Com o agravante de os seus sagazes
Porta-vozes serem soturnos,
Abutres de mau agoiro.


Delmar Maia Gonçalves
Benfica, 2 de Abril de 2008.
Enquanto escritor tudo farei para deixar marcas na água.


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 9 de Agosto de 2008.
Há manhãs em que só vejo a noite.

Algés, 1 de Julho de 2008.
No essencial o acordo ortográfico nada muda. Continuarei a escrever como aprendi desde 1974.

Delmar Maia Gonçalves
Viana do Castelo, 14 de Agosto de 2008.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Questiúnculas de desalmados não fazem cair um homem vertical.


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 30 de Outubro de 2008.
Aterrei completamente só num aeródromo sem pista. Terei pois, de evitar a explosão.


Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 6 de Dezembro de 2008.

domingo, 17 de maio de 2009

Somos quem somos
nem mais
nem menos
apenas somos!


Delmar Maia Gonçalves
Carnide, 24 de Abril de 2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Diário de Mim

Em Lisboa
passeio pelo atrium
que é uma feira de vaidades
que ecoa
dos copos beijados
por lábios carregados
de sensual batôn
gostos e sabores se entrecruzam
"Espelho meu, espelho meu
quem é mais linda do que eu?"
continuo divagando nocturno
vagabundeando
sem soltar os meus cães negros
passeio pelo Chiado
e aprecio o desfile da vaidade
a sublime vaidade
de corpos curvilíneos
cada um melhor ainda
que outro
olhares indiscretos se entrecruzam
uns na defensiva
outros convidativos
o dinheiro não pára de circular
as carteiras mirram
de tanta solicitação
a cada passo
algo novo, diferente
"Espelho meu, espelho meu
Quem é mais linda do que eu?"
Quem pára
este combóio
que não tem travão?
Que magia é esta
que nos mantêm atados
e impotentes?
Que magnetismo é este
que nos atrai e convida
permanentemente?
passeio pelo
Cais do Sodré
onde termina
a passerelle
e o desfile aí
não é de vaidades
é de predadores
e presas.
Presas fáceis e predadores!
Em que o euro
fala mais alto.
Parece não haver
distinção entre
rostos e corpos
tudo o que vem à rede é peixe!
dirão os predadores.
Eu quero é sobreviver!
pensarão as presas fáceis.
Que impotência é esta
que nos mantém prisioneiros?
Que crença é esta
num fatalismo que não é?
Não haverá mesmo
outra saída?

Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 17 de Dezembro de 2005.