quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mulher é...


Luz do poeta
Fogo que arde
E sente
Candeeiro
E chama
Chamamento infinito.


Delmar Maia Gonçalves
Carcavelos, 09 de Maio de 2005.

Mulher XXI


Se os teus
Olhos falassem
Comeria
Tâmaras no
Sepulcro sacro
Da minha ignota
Existência.


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 5 de Junho de 2004.

Mulher MM


Sinto alegria
Por aqui estares
E tristeza
Pela tua ausência.


Delmar Maia Gonçalves
Parede, 02 de Novembro de 2003.

Mulher XXXI


Sinto saudades
De momentos
Que contigo
Não vivi.


Delmar Maia Gonçalves
El Escorial/Espanha, 11 de Junho de 2004.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Denuncio...

Denuncio
Os plagiadores do alheio
Denuncio
A preguicite mental
Denuncio
Os "Escritores"
Que não são operários da palavra
Denuncio
Os críticos a pancarta de doutores
Denuncio
A mediocridade livresca
Denuncio
A vaidade saloia
Denuncio
O mediatismo vazio
Denuncio
A crítica passiva
E a ausência de racionalismo


Inédito
Delmar Maia Gonçalves
Parede, 27 de Agosto de 2009.

domingo, 13 de setembro de 2009

Quelimane minha namorada

Se poeta sou
Tu és minha poesia
Se prosador sou
Tu és minha prosa
Se escultor sou
Tu és minha escultura
Se pintor sou
Tu és minha pintura.


Delmar Maia Gonçalves
Maputo/Parede, 12 de Agosto de 1985.

De Corpo Inteiro

Ao Poeta Bocage


Magro
de estatura média
olhos azuis como o mar
nariz alto
eis o Elmano do Sado
da Pena
Lusitano de fado embora,
não renegou
sua veia rebelde
"vive la Revolution!"
por isso cantou
hinos à Liberdade
com sua alma lusitana.
Foi devoto
de mil deidades
num momento e para a eternidade.
Converteu-se
ao deus Baco.
Mil tormentos passou.
Abraçou
o deus Marte
para infelicidade dos frades.
Tarde chegou
seu desânimo com o arrependimento
porque aos céus ultrajou.
Viveu o fado dos génios.
Seu Dezembro fatal e negro chegou
e ele imortalizado ficou
com a paz do sepulcro.


Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 26 de Junho de 2005.
Amor é a fronteira que está entre a paixão e o ódio.


Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 28 de Outubro de 2002.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tu és...

Tu és
a bússola que
indica a minha luz
Tu és
meu único sentido
e rumo
Tu és
minha razão de
ser e estar.

Que dizer de
uma bússola sem Norte?
Que dizer do
Sul sem bússola?
Que dizer de alguém
sem rumo?
Que dizer de alguém
sem razão de ser e estar?

Delmar Maia Gonçalves
Parede, 6 de Julho de 2008.
“A paz é de todos ou não é de ninguém”
João Paulo II

Ser nobre é uma virtude
“Et errare humanum est”


Embora se tenha alcançado o essencial para Moçambique: a paz em todo o território nacional, e esta esteja a ser consolidada. Não seria todavia negativo, antes pelo contrário muito nobre que o governo moçambicano, o partido FRELIMO e o partido RENAMO (M.N.R.) pedissem desculpas e perdão a todo o povo moçambicano pelos dezoito anos de excessos, (violações do direitos humanos, vinganças pessoais, erros graves na governação do país, muitos abusos de poder e massacres em várias povoações na guerra civil de parte a parte. Esta atitude cairia bem nos gravemente lesados cidadãos moçambicanos ou estrangeiros residentes no país ou daqueles que abandonaram o mesmo pelas razões apontadas.
De resto, o governo sul-africano nosso vizinho soube ser inteligente quando formou a Comissão da Verdade e admitiu através do African National Congress ( A. N. C. ) liderado pelo “Madiba” e grande Soba Nelson Mandela, pelos excessos por si cometidos ou por outra, pelos seus guerrilheiros e membros. Hoje até os Boers alinham um pouco pelo mesmo diapasão, embora de forma mais tímida e envergonhada, e também por isso menos inteligente.
Nós sabemos que a governação da República de Moçambique pelo menos até à assinatura do histórico Acordo de Roma “a cidade eterna”, não terá sido só um poço de virtudes antes pelo contrário, foi um acumular de erros sucessivos que se veio a agravar com a guerra civil e a desestabilização Rodesiana e Sul-Africana.
É claro que houve mudanças positivas, muitas coisas positivas aconteceram, mas estiveram longe de satisfazer por completo os moçambicanos, a prova foram os dezoito anos da traumática guerra civil com as suas avalanches de mortes, desaparecimentos, órfãos, viúvas, massacres, mutilados, deficientes, fome, miséria, desinvestimento, falta de quadros e um sem número de traumatizados de guerra.
O povo moçambicano não foi, nem é rancoroso! É pacífico! Mas merece certamente mais atenção, consideração e respeito. E é bom que haja da parte dos políticos moçambicanos de todos os quadrantes sempre consciência dos erros cometidos e coragem para admiti-los e dos defeitos, não só das sagradas virtudes! Virtudes todos nós temos, mas também defeitos por mais pequenos que sejam.
E para bom entendedor meia palavra basta!


Delmar Maia Gonçalves
In “Africamente”
Parede