MAMAI
Mamai,
Na bus odju
N ta odja disteru
Forsadu
Delmar Maia Gonçalves
Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares
MÃE
Mãe
nos teus olhos
vejo o exílio
forçado!
Delmar Maia Gonçalves
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sábado, 18 de janeiro de 2014
VOS DI KONXAS
VOS DI KONXAS
Bu sa ta obi
Vos di konxas?
É mi ta konta bentu segredus
Ku vos baxinhu.
Delmar Maia Gonçalves
Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares
VOZ DAS CONCHAS
Escutas
A voz das conchas?
Sou eu
Murmurando segredos
Ao vento.
Delmar Maia Gonçalves
Bu sa ta obi
Vos di konxas?
É mi ta konta bentu segredus
Ku vos baxinhu.
Delmar Maia Gonçalves
Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares
VOZ DAS CONCHAS
Escutas
A voz das conchas?
Sou eu
Murmurando segredos
Ao vento.
Delmar Maia Gonçalves
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Poesia traduzida para Crioulo de Cabo Verde
NTERU DI VERDADI
NTERU DI VERDADI
Mamai!
N sa ta
Bai
Nteru di verdadi
Pamodi
Mintira
É rostu
Di ómis
Ki dja toma
Sidadi
Delmar Maia Gonçalves
Traduzido para crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares
FUNERAL DA VERDADE
Mãe!
Vou
Ao funeral
Da verdade
Que a mentira
É o rosto
Dos homens
Que plantam
A cidade!
Delmar Maia Gonçalves
Mamai!
N sa ta
Bai
Nteru di verdadi
Pamodi
Mintira
É rostu
Di ómis
Ki dja toma
Sidadi
Delmar Maia Gonçalves
Traduzido para crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares
FUNERAL DA VERDADE
Mãe!
Vou
Ao funeral
Da verdade
Que a mentira
É o rosto
Dos homens
Que plantam
A cidade!
Delmar Maia Gonçalves
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Poesia traduzida para Crioulo de Cabo Verde
sábado, 11 de janeiro de 2014
Manifesto Moçambicano
Quando um CIDADÃO de um qualquer PAÍS sai dele, por variadas RAZÕES (voluntárias ou involuntárias), luta e vence em terras estranhas, é carregado pelo seu PAÍS ou carrega seu PAÍS nas costas, de tal forma que se torna por vezes um fardo pesado (por culpa de gente racista, preconceituosa, complexada, egoísta, invejosa , maldosa e mal intencionada)? Tem que ser um fardo?Lembro-me da minha saudosa Amiga e "Soba" falecida em CASCAIS, POETA-MAIOR de MOÇAMBIQUE NOÉMIA DE SOUSA que me dizia: "Todos os Moçambicanos a residirem no exterior e que amam seu PAÍS, são pedaços de pau preto disseminados pelo mundo!"
Um MOÇAMBICANO precisa de pedir licença para sê-lo? Não creio.
Lembro-me de uma geração de ilustres PORTUGUESES que deixaram PORTUGAL e hoje, mais do que nunca, são bandeiras fora de portas do PAÍS que os viu nascer (PAULA REGO, MANUEL DAMÁSIO, VIEIRA DA SILVA, EDUARDO LOURENÇO, entre outros) e entristece-me ver e ouvir alguns dirigentes e intelectuais moçambicanos racistas,preconceituosos, xenófobos, manipuladores, umbiguistas, mesquinhos e cobiçosos, que mais não fazem do que darem um tiro certeiro no seu próprio pé, apesar de agitarem de forma doentia a bandeira do nacionalismo !
Como diria o outro “aquila non capit muscas”.
DMG
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Opinião
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
"IMIGRANTES AFRICANOS MOÇAMBICANOS"
Aconselho vivamente a leitura deste Livro (estudo académico sério), de uma profissional Moçambicana respeitada para se compreender com profundidade a "verdadeira" Diáspora MOÇAMBICANA que nem o PARTIDO FRELIMO (no poder desde 1975), nem a RENAMO (na oposição política e armada ao poder),nem o MDM compreenderam até hoje.
A AUTORIA é da Estudiosa e Académica Moçambicana SHEILA PEREIRA KHAN. Convidado a participar, dei o meu testemunho vivo, numa longa ENTREVISTA gravada e filmada, contribuindo assim para uma melhor compreensão da DIÁSPORA MOÇAMBICANA (e sua descendência) residente "efectivamente" em PORTUGAL.
Sublinhe-se, que o mesmo teve também a participação do então EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE em PORTUGAL, DR.PEDRO COMISSÁRIO.
Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)
A AUTORIA é da Estudiosa e Académica Moçambicana SHEILA PEREIRA KHAN. Convidado a participar, dei o meu testemunho vivo, numa longa ENTREVISTA gravada e filmada, contribuindo assim para uma melhor compreensão da DIÁSPORA MOÇAMBICANA (e sua descendência) residente "efectivamente" em PORTUGAL.
Sublinhe-se, que o mesmo teve também a participação do então EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE em PORTUGAL, DR.PEDRO COMISSÁRIO.
Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)
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Livros
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
EU E OMAR SHARIF
Sempre que vou viajar pela Europa, antes de chegar a qualquer sala de embarque, passo sempre pela rotineira confirmação do CHECK-IN, verificação e embarque das bagagens, pelos habituais cordões de segurança e verificaçãodas bagagens de mão. E, invariavelmente, inicia-se o ritual de segurança (fico simultaneamente sem o fio, pulseira, auriculares, cinto, relógio, sapatos, telemóvel, computador portátil, máquina fotográfica, garrafa de água e quase surrealisticamente sou bombardeado com perguntas indiscretas). Normalmente sobram-me apenas as calças, a camisa,as cuecas ou rabecas e as meias que, como é óbvio, com o calor e a transpiração já cheiram a chulé!
Depois, sou sempre invadido pelo segundo ritual, chamar-lhe-ei digamos assim, de apalpamento! E não me interpretem mal, por favor! É sempre cumprido religiosa e rigorosamente por um qualquer marmanjo a quem chamam de senhor segurança.
Em certa ocasião, numa dessas viagens, em que não estava nos meus dias angelicais e serenos, saltou-me a tampa e soltei meus cães negros disparando indignado com uma pergunta lógica no meu parco inglês macarrónico: "Porque me está este senhor a apalpar com tanto entusiasmo?" Resposta pronta da sorridente senhora chefe da secção de segurança do aeroporto : -"Talvez seja porque o senhor é muito parecido com o OMAR SHARIF!"
É claro que não desarmei.Serenei e soltei um leve sorriso. Finalmente, descobrira nesse dia que tenho semelhanças com este charmoso galã romântico egípcio da década de 60.
E não pude deixar de pensar (cá para os meus botões), que hoje sou indiscutivelmente mais bonito do que ele, mas não deixa de ser uma honra ser comparado ao ícone egípcio e velho "leão"do deserto que conquistou HOLLYWOOD. Só não tive a sorte de desposar a diva egípcia FATEN HAMAMA, considerada um tesouro da terra dos faraós, com quem teve um filho TAREK el-SHARIF, e que se recusou a regressar ao EGIPTO com NASSER no poder!
Objectivamente este episódio obriga-me a rever a minha árvore genealógica!!!
DELMAR MAIA GONÇALVES
( Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)
( Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)
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Crónicas
domingo, 8 de dezembro de 2013
“MADALENA O TRADICIONAL CASAMENTO SEM AMOR”
Quando o parto de “Madalena - O tradicional Casamento sem amor” aconteceu, deixou de pertencer ao autor HOSTEN YASSINE ALI, sendo carinhosamente acariciado pelos seus leitores cúmplices. Depois de conquistar muitos destes leitores em Portugal, eis que me surge finalmente nas mãos fresquinho, kanimambo vida que o trouxe aos meus sentidos… depois de encontros, desencontros e reencontros com o autor. Obviamente, uma grande surpresa, como de resto o próprio autor. Bons olhos o vejam!
Um jovem oficial da marinha moçambicana em Portugal, em formação superior, habituado a disciplina reclusiva e rigor, propícia ao Escritor em potência que já morava nele, foi reflectindo em torno de questões fundamentais da sociedade moçambicana e da nossa existência. Um olhar microscópico sobre realidades já conhecidas nalguns casos, mas não debatidas e eventualmente desconhecidas para outros.
Períodos longos que permitiram ao Autor um longo namoro com a escrita de que resultou este belo livro, magistralmente escrito.
O jovem Escritor Moçambicano, um Cronista de excelência e um grande romancista em potência, surpreendem pela maturidade na escrita, pelas escolhas que fez enquanto “iniciante” na literatura e pela enorme qualidade e valor estético-literário da sua obra (“Kurhula” crónicas e “Madalena- O tradicional casamento sem amor” Romance). Escolha arriscada , mas pensada. Calculo.
As tradições aqui desnudadas, muitas vezes incompreendidas são um apelo ao seu conhecimento, compreensão e descodificação.
A identidade de qualquer povo está alicerçada na língua e num sistema de valores e tradições mais ou menos contestados, sobretudo quando se sofrem 500 anos de colonização e um combate cego, feroz e desigual (ao tribalismo, regionalismo, obscurantismo), desde 1975, e que se prolongou num longo período pós-independência até 1986, terminando sem vencedores nem vencidos.
Não se combatem as tradições com decretos lei. Mas, qualquer tradição pode conter nela códigos e práticas nocivas ou até carregadas de violações de direitos fundamentais e genericamente atropelos graves à dignidade humana para as sociedades modernas, em especial para as mulheres da sociedade moçambicana actual, no actual estágio de desenvolvimento. Mas, por outro lado, podem conter códigos que beneficiam franjas de cidadãos fragilizados pela sua condição, particularmente as mulheres em determinados contextos.
Nesse sentido, o Autor interpela-nos e motiva-nos à reflexão profunda sobre uma realidade que existe e que não pode jamais ser ignorada.
Cabe-nos a nós leitores, fazer a escolha subjectiva entre o que é nocivo e o que é benéfico, contribuindo se possível para o debate e para a eliminação, se necessário, de práticas nocivas ou não, que efectivamente podem prejudicar mais do que beneficiar globalmente a sociedade moçambicana, num diálogo sábio e permanente com as tradições.
DELMAR MAIA GONÇALVES
(ESCRITOR e PRESIDENTE DO CÍRCULO DE ESCRITORES MOÇAMBICANOS NA DIÁSPORA – CEMD)
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Reflexão
Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista escritor Delmar Gonçalves
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Delmar Maia Gonçalves nasceu a 5 de Julho de 1969 em Moçambique. É Membro do Júri do I Concurso Internacional de Escritores Infanto-Juvenis “La Atrevida” e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Também é membro do Conselho Cultural da Associação Cultural e Artística Portugal-Lituânia e Membro da direção do Movimento Internacional Lusófono. Livros Publicados: Moçambique Novo, o Enigma; Moçambiquizando; Afrozambeziando Ninfas e Deusas; Mestiço de Corpo Inteiro; Entre dois rios com margens. www.delmarmg.tk.
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1. Prezado escritor Delmar Gonçalves para nós é um prazer contar com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o que mais lhe atrai na escrita literária? O que o motiva a escrever?
DMG: O que mais me atrai na escrita literária é o eterno namoro do Poeta com as palavras. Os escritores buscam a eternidade delas e não se cansam nunca da virtude da beleza e do espanto! O que me motiva a escrever é o sentimento grato de estar vivo e viver. Sobreviver apenas , não é justo! A poesia da vida não aceita! Depois, o vínculo da minha escrita ao útil. A literatura come-se, porque nos alimenta o corpo e a alma eliminando as gorduras desnecessárias.
2. Que temas você aborda em seu livro “Moçambique Novo, o Enigma”?
DMG: No livro MOÇAMBIQUE NOVO, O ENIGMA, meu país que é efectivamente um enigma é o tema central do livro. Seus dramas, tristezas, alegrias, vitórias e derrotas estão presentes.
3. Como surgiu a ideia de escrever seu livro “Moçambiquizando”? Como foi a escolha do Título?
DMG: No fundo, a continuação de um exercício de moçambicanidade co “MOÇAMBIQUIZANDO”. Uma espécie de dança, uma celebração do meu país. Uma necessidade de abraçar o meu país! O título para mim diz sempre muito. Mas, este saiu naturalmente para perpetuar minha relação especial com ele!
4. “Afrozambeziando Ninfas e Deusas” Em quanto tempo você escreveu este livro? Que temas você aborda nesta obra?
DMG: Não faço ideia. Fui escrevendo e não dei pelo tempo. A escrita absorve-me sem me cansar. Nesta obra o tema central é a mulher. A mulher Africana, a mulher Moçambicana, a mulher mãe, a amante, a prostituta ou a Deusa.
5. Qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?
DMG: Escrevo por puro prazer. Não escrevo a pensar no público. Nessa medida, não escolho público alvo. Mas como é óbvio, gostaria de ser lido por todos e em especial por aqueles que não compreendem o que é ser emigrante, imigrante forçado ou exilado e viver na diáspora, fora da sua pátria! A minha mensagem é de paz, verdade, humanismo, irreverência, coragem e fraternidade universal.
6. Escritor Delmar de que forma você divulga, hoje, o seu trabalho?
DMG: Divulgo através de entrevistas às rádios, televisões, revistas, jornais, participação em eventos culturais nacionais ou de cariz internacional, sites, blogues e das redes sociais.
7. Onde podemos comprar os seus livros?
DMG: Em diversas livrarias de Lisboa, em Sites de livrarias Portuguesas e espanholas online, de editoras, no meu Site pessoal e do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.
8. Você hoje é presidente/representante de várias entidades literárias, conte-nos quais seus principais objetivos ao Representar estas entidades? De forma resumida quais as principais atividades que vocês desenvolvem? Quem pode participar?
DMG: Ao representar várias entidades literárias pretendo apenas intensificar e formalizar meu vínculo e paixão eternos com a literatura, promovendo-a e promovendo velhos e novos autores, uns mais reconhecidos, outros menos, uns mais mediáticos outros não! Promovemos um Encontro anual, uma Gala trianual, uma Revista do Encontro, Revistas Culturais mensais, Tertúlias de Poesia regular e Encontros mensais com escritores e poetas. A participação é sempre aberta a todos independentemente da sua nacionalidade. Participam essencialmente poetas, escritores (ensaístas, cronistas, romancistas, contistas), jornalistas, artistas plásticos e críticos literários. Atribuímos um Reconhecimento anual a um Escritor/ Poeta e outro a um Artista Plástico. E escolhemos Sócios Honorários que contribuem para a cooperação e o intercâmbio Lusófonos.
9. Que diferenças literárias você citaria entre o mercado literário de Portugal e mercado literário de Moçambique?
DMG: O mercado literário português é muito mais competitivo, há muito mais oferta de autores e livros. Há mais hipóteses de escolha. O mercado moçambicano verifica-se estar em franco crescimento, com muitos autores de qualidade, mas com limitações na área editorial , que ainda carece de muito financiamento e alguma dependência do mecenato cultural. Acredito no futuro da literatura moçambicana que não se resume aos quatro ou cinco autores de que se vai falando de forma insistente. Há muitos mais e com enorme qualidade. Alguns deles muito jovens e que merecem todo o carinho e apoio, bastando que apostem neles.
10. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Delmar Gonçalves, que mensagem você deixa para nossos leitores?
DMG: Quero deixar um grande e fraterno abraço aos leitores do Projeto DIVULGA ESCRITOR e para quem não conhece bem a LITERATURA MOÇAMBICANA, que ultrapassa as fronteiras geográficas de Moçambique, procure aprofundar esse escasso conhecimento e tornar-se-á rapidamente uma enorme paixão!!! Grato abraço SHIRLEY M. CAVALCANTE.
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ENTREVISTA
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
ENTREVISTA A SITE ANGOLANO
Entrevista
a Delmar Gonçalves poeta e escritor moçambicano
1)
Comecemos com a pergunta da praxe, como começou a escrever?
R:
Bem, comecei a escrever na escola e na altura escrevi mais prosa. Isto foi em
1982, ainda em Moçambique, e nessa altura já admirava muito o Eça de Queirós,
Escritor Português, que descobri na
humilde mas bela Biblioteca Municipal de Quelimane. E gostava também de ler
Banda Desenhada, Lendas e Contos.
2) Quais são as influências da infância
e adolescência que determinaram para a sua opção pela poesia e não para uma
outra vertente artística? E porque?
R:As
minhas influências da Infância e Adolescência que determinaram a minha opção
pela Escrita e não propriamente pela Poesia, de que no princípio nem era grande
adepto, e não escrevo apenas Poesia.Foram como disse, antes as minhas leituras
de Eça de Queirós (de Portugal), a descoberta da Moçambicana Noémia de Sousa na Poesia, da Poesia Erótica e Satírica do Poeta
Português Bocage, da Poesia do
Moçambicano Rui Nogar, da leitura dos Contos das Mil e Uma Noites, da leitura de Pepetela (de Angola), da leitura
de Ruy Mingas (de Angola) e de alguns
dos livros da colecção FBI que
surripiava ao meu pai. Depois, lia muito os Jornais Moçambicanos “Notícias”,
“Domingo” e a Revista “Tempo” que o meu pai sempre comprava e via muito Cinema
que depois contava aos familiares e amigos (meu falecido irmão mais velho era Artista Plástico Moçambicano e trabalhava
em dois Cinemas de Quelimane). Também tinha um avô já falecido, que
gostava de contar Histórias com grandes pingos de humor! Foi aí que decidi começar as minhas primeiras tentativas de
Escrita.
3) Como se deu o processo de fixação em Portugal e
para que fins?
R:
Foi doloroso. Nunca o esperei, pois a
incorporação no serviço militar obrigatório moçambicano de vários familiares
meus, entre eles de um irmão, vários primos, tios e tias, devido à birrice vingativa pessoal de
um Comandante com a minha Família, não augurava nada de bom para mim e para um
outro irmão meu. Tivemos de sair do nosso país para Portugal para
prosseguir os Estudos. A África do Sul nunca foi opção, porque não concordavamos com o desumano Sistema político do APARTHEID.
4) Como tem sido a sua vida artística fora de
Moçambique?
R:
Tem
sido abençoada por coisas boas graças ao meu esforço, trabalho e dedicação. Já
ganhei alguns Prémios e Reconhecimentos importantes. Felizmente os Convites não
param de surgir. Ainda espero concretizar
muitos Projectos e muitas conquistas.
5) Sabemos que criou o CEMD «círculo de escritores
moçambicanos na diáspora» qual é exatamente o trabalho que desenvolve?
R:Promover
e Divulgar a Literatura Moçambicana (dentro e fora de Moçambique) e autores
Moçambicanos conhecidos e desconhecidos que estão dentro e fora de Moçambique, criar
pontes entre nós e potenciar o
intercâmbio entre os Autores da CPLP.
6) Que relações mantem com os escritores moçambicanos
na diáspora e em Moçambique?
R:
Quer
nas diásporas, quer em MOÇAMBIQUE sem
excepção, relaciono-me bem com todos, de forma natural, saudável e
normal. Existe um intercâmbio intelectual saudável. Todos os dias trabalho para que este
objectivo seja uma realidade, pois acredito que o compromisso maior dos
Escritores deve ser com a Escrita! Alguns desses Escritores, tornaram-se meus amigos pessoais e cúmplices das grandes jornadas literárias!
7) Na sua opinião quais são as
dificuldades para publicar um livro em Moçambique?
R: Tem a ver com o fraco investimento editorial
nos autores moçambicanos menos conhecidos ou ainda pouco reconhecidos ou
desconhecidos. As grandes Editoras não apostam em valores desconhecidos. Uma
visão estratégica errada! Depois, o mecenato cultural deveria ser mais
incentivado e reconhecido!
8) Fale-nos da
literatura africana contemporânea (Angola, Cabo-verde, Guiné-Bissau, Moçambique
e São Tomé e Príncipe).
R:
Creio que as Literaturas Moçambicana, Angolana e Cabo-Verdiana levam vantagem
sobre as Literaturas da Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe. Ganharam um
Estatuto diferente! Moçambique, Angola e Cabo Verde ganharam a Projecção que a
Guiné-Bissau e São Tomé e Princípe ainda não
possuem. Mas julgo também que apesar de tudo, todas elas partilham os
mesmos dramas e problemas!
9) Na sua opinião como
está a literatura africana de língua portuguesa, em termos de produção?
R:
O número de Autores de qualidade aumentou e obviamente a produção literária
cresceu. Virou moda ser Escritor, Poeta
ou Artista Plástico! O inverso também aconteceu, há demasiada gente publicando,
mesmo sem qualidade nenhuma. E existe
muito oportunismo e busca de simples protagonismo doentio. Será necessária a filtragem, que
estou certo só a crítica e as Academias se encarregarão de fazer! Nesse
processo, deve estar de fora o poder político!
10) Qual a sua opinião sobre o ensino das
artes nas escolas africanas?
R:
Julgo
que em relação ao meu país em especial, apesar de ter grandes mestres da
Pintura, Desenho, Escultura, Cerâmica e Fotografia (Malangatana, Chichorro, Bertina
Lopes, José Pádua, Naguib, Inácio Matsinhe, Reinata Sadimba, Shikani, Lívio de Morais,
Ribeiro Canotilho, Chissano, José Júlio, Lara Guerra , Mankeu, Naftal Langa, Heitor Pais, Ricardo Rangel, Ntaluma),
precisa de um grande investimento na área do Ensino.Mais Escolas Intermédias,
Profissionais e Superiores de Artes e de preferência em todas as Cidades
Capitais Provinciais até ao Ensino Universitário, com promoção de Mestrados e
Doutoramentos. Julgo também que teremos
muito a aprender com outros países da África Central,nesse aspecto particular! De
resto, acredito que Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e
Princípe têm problemas comuns nesta área.
11) Sobre a literatura
de língua portuguesa, que livros recomenda para leitura obrigatória e porquê?
R:
Neste momento, julgo haver Autores que já deveriam ser obrigatórios! Sem
discriminar ninguém, julgo que José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui
Nogar, Mia Couto, Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Eduardo White, Luís Carlos
Patraquim e Virgílio de Lemos devem ser as referências. Mas sem descurarem
Antologias inclusivas de todos os outros Autores Moçambicanos que estão
dentro e fora do país e já
possuem obra significativa.Exemplos? Nélson Saúte, Marcelo Panguana, Calane da Silva, Ascêncio de
Freitas, Lília Momplé, João Paulo Borges Coelho, Heliodoro Baptista, Jorge
Viegas, Suleiman Cassamo, Delmar Maia Gonçalves, Guita Jr., Sebastião Alba, Sónia
Sultuane, Lucílio Manjate, Ruy Guerra, Albino
Magaia, Bahassan Adamodgy, Jorge Rebelo, Filimone Meigos, Marcelino dos Santos,
Luís Bernardo Honwana, Rui de Noronha, Reinaldo Ferreira, Nuno Bermudes, Glória
de Sant’Anna, Ana Mafalda Leite, Orlando Mendes, entre outros.
12) Qual é a importância
da literatura oral no contexto atual e num mundo cada vez mais globalizado?
R:
É de importância fulcral, pois é o início de tudo. Necessariamente teremos de
preservá-la, defendê-la! Está lá a nossa Identidade, a raiz da nossa História
ancestral! Mas julgo estar neste momento
sendo resgatada pelos jovens Africanos, que já perceberam a sua
importância!
13) Fale-nos do contexto
atual do estado Moçambicano, estamos a beira de uma guerra? Como cidadão qual é
a sua opinião?
R:
Creio que neste momento vivemos uma guerra não declarada, com consequências imprevisíveis. O próprio regime
de tipo Democrático estará posto em causa em termos de futuro. Sou
absolutamente contra o belicismo actual, e, portanto, contra qualquer hipótese de
guerra. Este conflito deve ser resolvido pela via do Diálogo, que aliás estava
decorrendo quando foi bruscamente interrompido! Não julgo normal ou viável que
sucedam ataques armados recíprocos com mortes e em simultâneo se fale de
Diálogo e de Paz! As Hostilidades devem parar já!!! É uma loucura, um absurdo
em que o Povo Moçambicano não se revê!
14) Enquanto poeta e
escritor, que mensagem deixaria para a juventude africana?
R:
Apelaria para que a Juventude Africana aposte forte na sua formação quer Académica
quer Profissional, acredite em si própria e tenha fé e esperança no FUTURO, sem
que isso signifique deixar de ser mais
reivindicativa , mais crítica e
auto-crítica no PRESENTE! Nada nos é dado de mão beijada, gratuitamente. Temos
de lutar, lutar sempre para conquistar
um pedaço que seja do nosso chão!
Por: Domingas Monte
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ENTREVISTA
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
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