terça-feira, 4 de março de 2014

A propósito de “Doze contos meio poema” de Krishnamurti Góes dos Anjos



Se um dia puder, escreverei um tratado da bajulação dos críticos literários, pois, não concordo com ela em absoluto, embora considere útil uma crítica literária séria, honesta e construtiva.
Por isso, sendo eu um escritor anti-bajulação, não tenho motivos para ser intelectualmente desonesto. Na verdade, são poucos os escritores que admiro, como ao meu grande ídolo Gabriel Garcia Marquez. Li o livro de Krishnamurti Góes dos Anjos e só posso oferecer considerações elogiosas. Pela riqueza vocabular e estilística, pela maturidade da linguagem e pela sua grande capacidade de criação de enredos. São raros os escritores que apresentam esta característica especial, de sondar, viver e conviver intimamente com os pensamentos e sentimentos íntimos e profundos dos personagens que eles próprios criaram, observando-os, animando-os e modelando-os.
Um contador de histórias nato, que cruza a realidade vivida, com a realidade sonhada, fundindo-as.
A preocupação primordial do autor com a realidade e as diversas leituras que esta suscita são o motor da sua escrita. Paixão, verve, ondas de criatividade e um turbilhão de pensamentos cruzados numa espécie de vendavais, onde o quotidiano serve de chão ao desafio de olhar o mundo.

Por tudo isto, vale sempre a pena a experiência da leitura de Krishnamurti Góes dos Anjos.


Delmar Maia Gonçalves

(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora - CEMD)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES


Toda a gente terá tido um professor ou professora na infância,na adolescência ou juventude que o marcou para sempre na vida.Comigo sucedeu o mesmo,para não fugir à regra.

Guardo boas memórias de alguns deles;esqueci-me dos piores, paciência!
De resto,quando algo corria mal na ESCOLA,minha sábia avó RITA MACHADO,que mais parecia um General desarmado e de saias,defendia-me disparando inteligentemente e de pronto «É capaz a Professora estava mal disposta e não deu bem a aula!» Pronto. 
Na minha QUELIMANE natal,tive na ESCOLA ESPECIAL DA 4ªCLASSE DE SINACURA,do ensino Primário,uma professora moçambicana de nome BERTA,que guardarei para sempre no coração.E era também minha Catequista na CATEDRAL NOVA.Um anjo africano e um doce de pessoa.
Sempre competente e exigente ,mas simultaneamente meiga e dócil!
Depois,como poderia esquecer-me do implacável, exigente, mas também carinhoso Professor JAFAR? Este Professor de Língua Portuguesa,que nos exigia o domínio da Gramática e da Língua Portuguesa na 5ª e 6ª CLASSES, da antiga ESCOLA PREPARATÓRIA 25 DE JUNHO, e anterior ESCOLA PREPARATÓRIA DE QUELIMANE ,actual ESCOLA PRIMÁRIA DE 2ºGRAU PATRICE LUMUMBA DE QUELIMANE, tinha por hábito afirmar repetidamente no seu Português perfeito «Eu sou um cooperante Indiano e domino a Língua Portuguesa. Vós que sois Moçambicanos e tendes esta Língua como oficial,não a dominais?»
Não gostava nada de vê-lo furioso,só de ouvi-lo levantar a voz por um qualquer disparate nosso,e o vale de lágrimas ou a vara de tremeliques abundavam.
Nessa altura,tornei-me num dos melhores alunos na Gramática e na Língua Portuguesa das turmas da 6ªClasse,daí ter recebido um Prémio de Emulação Socialista.
Tanto as provas escritas,como as orais foram papinhas saborosas!E tudo graças ao engenho e génio do Professor JAFAR,um modesto cooperante Indiano.
Mais tarde, já na 7ªClasse,tive um outro excelente Professor de nacionalidade CUBANA de nome DIONISIO,na disciplina de Matemática,que me chamava carinhosamente de " Marinero"e me dizia com insistência simpaticamente «Del Mar, vas a ser un Marinero!»
E tinha razão!Sou mesmo um Marinheiro,mas do Mundo!
Nunca gostei tanto de Matemática,e as notas dispararam em sentido ascendente.
O segredo?A alegria contagiante de estudar Matemática que ele transmitia aos alunos!
Finalmente,já em Portugal e ainda no ensino Secundário,na ESCOLA SECUNDÁRIA DA PAREDE,antigo LICEU DA MADORNA,uma Professora de Língua e Literatura Portuguesa e ainda de Língua Francesa,que dava pelo nome de GABRIELA e que jamais esquecerei. 
Com ela voltei a sentir um gosto especial e quase obsessivo pela Gramática,pela Literatura em geral ,pela Poesia,pelas Figuras de Estilo(até me pedia que explicasse aos colegas,embora eu fosse muito tímido),pelas Línguas Portuguesa e Francesa e por outro lado,foi graças a ela que participei e venci o 1ºConcurso de Jogos Florais da ESCOLA SECUNDÁRIA DA PAREDE.Seguir-se-iam outros Prémios importantes,incluindo um PORTUGUÊS.
Foi ela também, que com a POETA MOÇAMBICANA NOÉMIA DE SOUSA e a ESCRITORA e POETA PORTUGUESA MATILDE ROSA ARAÚJO(já falecidas) me incentivaram a publicar em Livro os meus Textos em Poesia,Prosa-Poética e Prosa.
E até hoje não mais parei.
É evidente que outros Professores houve que foram igualmente importantes, mas estes ficaram para sempre no meu coração.
Jamais os esquecerei. Devo-lhes isso eternamente.


DMG

Jornal Pirâmide de Maputo


Solidariedade


sábado, 18 de janeiro de 2014

SILENSIU I MI

SILENSIU I MI
Silensiu
Trata-m
Senpri
pa BO,
Tamanhu
Era nos
Intimidadi.
Nhas gritu
di rivolta
Era mudu
Mas es ta obida
Pa mundu interu


Delmar Maia Gonçalves


Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares



O SILÊNCIO E EU
Sempre
me tratou
por TU
o Silêncio.
Tamanha
era a nossa
intimidade.
Meus gritos
de revolta
eram mudos
mas ecoavam
pelo MUNDO!


Delmar Maia Gonçalves




MAMAI

MAMAI
Mamai,
Na bus odju
N ta odja disteru
Forsadu


Delmar Maia Gonçalves


Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares


MÃE
Mãe
nos teus olhos
vejo o exílio
forçado!


Delmar Maia Gonçalves



VOS DI KONXAS

VOS DI KONXAS
Bu sa ta obi
Vos di konxas?
É mi ta konta bentu segredus
Ku vos baxinhu.


Delmar Maia Gonçalves


Traduzido para Crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares



VOZ DAS CONCHAS
Escutas
A voz das conchas?
Sou eu
Murmurando segredos
Ao vento.


Delmar Maia Gonçalves

NTERU DI VERDADI

NTERU DI VERDADI
Mamai!
N sa ta
Bai
Nteru di verdadi
Pamodi
Mintira
É rostu
Di ómis
Ki dja toma
Sidadi


Delmar Maia Gonçalves



Traduzido para crioulo de Cabo Verde pelo Poeta José Luís Tavares



FUNERAL DA VERDADE
Mãe!
Vou
Ao funeral
Da verdade
Que a mentira
É o rosto
Dos homens
Que plantam
A cidade!


Delmar Maia Gonçalves

sábado, 11 de janeiro de 2014

Manifesto Moçambicano


Quando um CIDADÃO de um qualquer PAÍS sai dele, por variadas RAZÕES (voluntárias ou involuntárias), luta e vence em terras estranhas, é carregado pelo seu PAÍS ou carrega  seu PAÍS nas costas, de tal forma que se torna por vezes um fardo pesado (por culpa de gente racista, preconceituosa, complexada, egoísta, invejosa , maldosa e mal intencionada)? Tem que ser um fardo?Lembro-me da minha saudosa Amiga e "Soba" falecida em CASCAIS, POETA-MAIOR de  MOÇAMBIQUE NOÉMIA DE SOUSA que me dizia: "Todos os Moçambicanos a residirem no exterior e que amam seu PAÍS, são pedaços de pau preto disseminados pelo mundo!"
Um MOÇAMBICANO precisa de pedir licença para sê-lo? Não creio.
Lembro-me de uma geração de ilustres PORTUGUESES que deixaram PORTUGAL e hoje, mais do que nunca, são bandeiras fora de portas do PAÍS que os viu nascer  (PAULA REGO, MANUEL DAMÁSIO, VIEIRA DA SILVA, EDUARDO LOURENÇO, entre outros) e entristece-me ver e ouvir alguns dirigentes e intelectuais  moçambicanos racistas,preconceituosos, xenófobos, manipuladores, umbiguistas, mesquinhos e cobiçosos, que mais não fazem do que darem um tiro certeiro no seu próprio  pé, apesar de agitarem de forma doentia a bandeira do nacionalismo !

Como diria o outro “aquila non capit muscas”.

DMG